13 fevereiro 2007

Luto

Por João Hélio

por todos os que morrem diariamente devido à violência em todos os cantos do mundo

por aqueles que morrem, por falta de cuidados, de fome, de sede e por falta de amor.

O comentário de Doraci Reis leitora do Último Segundo diz praticamente tudo o que eu penso:

"Na minha opinião, diminuir maioridade penal não resolve, mesmo. O que poderia resolver em casos de menores é esperar que completem 18 anos e aí ter um julgamento pelo crime. Claro que isso tudo com o devido acompanhamento, porque nosso sistema até funcionaria se realmente fosse levado à risca e se estivéssemos preocupados em ressocializar os ressocializáveis e manter afastados de nós pra sempre os que não têm jeito nem morrendo e nascendo novamente. Todos enchem a boca pra falar que quem é contra a pena de morte é porque não sofreu na pele o que a família desta criança sentiu e sentirá para sempre. Mas sou contra a pena de morte porque concordo com o que Marcelo Resende disse uma vez: bandido não tem medo de morrer, tem medo de trabalhar, ralar, sofrer. Sou a favor de prisão pérpetua com trabalhos forçados, sem remuneração, tendo o preso que trabalhar muito para ter direito a dormir num colchão, comer, a uma vestimenta. Tudo isso sem regalias, porque pra mim, a partir do momento que alguém vai contra a sociedade ela não tem mais direito nenhum, só o dever de ficar trancafiada. Outro motivo pra eu ser contra a pena de morte: e se fosse eu a mãe de um dos rapazes que cometeram o crime? Pimenta no olho dos outros é refresco, na hora de dizer que é a favor da pena de morte pensamos somente na família das vítimas, mas nunca pensamos na possibilidade de um dos nossos familiares cometer um crime desses. Ficamos acostumados com qualquer atrocidade, desta vez nos chocamos porque aconteceu com uma criança e realmente é algo incomum e chocante, mas será que é comum dois bandidos desclassificados apontarem uma arma pra minha cara e levarem meu carro? Não devo me chocar com isso? É normal ligarmos a TV e vermos a Fátima Bernardes falar como se fosse a coisa mais natural do mundo que mais 5 pessoas morreram explodidas no Iraque? É normal eu andar na rua e de repente levar um tiro, assim, do nada, de uma bala perdida? Não devo me chocar com a violência, qualquer que seja? Será que a cada dia a perversidade humana tem que testar nosso limite de sensibilidade à dor alheia? Todos nós temos nossa parcela de culpa ao sentarmos nossos enormes rabos nos nossos sofás ou nas cadeiras do bar da esquina, falarmos até não poder mais, botar a culpa toda no governo e depois chegar em casa, não saber nem aonde nossos filhos andam e com quem, esquecer de tudo e assistir ao BBB7."

Que mães como a de João Hélio encontrem um dia a paz, que seu coração merece.

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