Este país é uma loucura no quesito carros. Tem carros para todos os gostos e todos os tipos. Tem carros de todos os tamanhos e cores. E muitos engarrafamentos.
Além disso é um dos poucos lugares no mundo, onde você pode andar na velocidade máxima de seu carro, caso não exista limite especificado na auto-estrada (Autobahn). Os outros quatro sao: Bhutão, Tibete, Uganda e Nepal.
Mas nem sempre os carros aqui na Alemanha são, digamos, carrões. Aqui tem de tudo mesmo, até carro todo colado com adesivos dos anos 50 eu já vi.
Imaginem a cena: um motorista na sua BMW novinha em folha, indo a 240 Km/h na Autobahn é ultrapassado por um Golf 2, VR6 Turbo, que segue a 275 Km/h - e eu no meu carrinho de verão, estarei na pista da direita, andando a 120 Km/h, alheia a todas estas maluquices do mundo.
Carro de verão? o que é isso?
Uma coisa relativamente comum aqui na Alemanha é ter um carro conversível, que só é usado em alguns meses do ano. Assim que os primeiros raios de sol aparecem, eles estão por aí, rodando, abertos, motoristas com boné ou de cabelos ao vento. E até o final de outubro os conversíveis estarão presentes nas ruas do país.
Para evitar pagar licenciamento e imposto pelo ano inteiro, o governo instituiu as famosas "placas da estação" (trad. livre para Saisonkennzeichen). No final da placa há os meses de uso, que deve ser por no mínimo dois meses do ano.
Eu tenho dois carros. Um licenciado de abril a outubro, conversível, antigo (para não dizer velho), mas que eu gosto muito. Este carro será considerado um old-timer daqui a 5 anos. E também tenho um outro, também velhinho, licenciado de novembro a março, que eu uso no inverno.
Já pensei em vender os dois e comprar um pequeno, mais novo e mais econômico. Porém tanto meu marido, quanto meu sogro são totalmente contra eu comprar um carro pequeno, por causa do quesito segurança. E não adianta argumentar, eles não deixariam alguém da família rodar de Renault e ponto. Seria motivo de joça para a vida inteira.
Pensei também em desemplacar o carro de verão, deixá-lo na garagem pelos próximos cinco anos e adotar o sistema de car-sharing, pois abriu um posto de troca quase ao lado da minha casa. Car-sharing é um sistema, no qual você se cadastra, paga uma taxa (pode ser mensal ou única, depende de como você vai usar o sistema) e daí quando E se você precisar de um carro, você paga somente pelo tempo usado. É legal para diminuir o número de carros circulando e é uma benção para o meio-ambiente.
Ah, além dos carros, eu tenho uma bicicleta, agora com cadeirinha para levar a filhota. Mas hoje, ao ir ao festival de outono no centro da cidade, eu fui de ônibus, assim poderia tomar um vinho, caso quisesse, e voltar sem problemas.
É, na Alemanha você não pode dirigir carros e nem andar de bicicleta embriagada.
Bem, não bebi nada além de água e nem precisei me preocupar com estacionamento, pois diga-se de passagem, a cidade estava mais do que lotada. Fui de busú, como se diz na minha terra. Clara gostou tanto de andar de ônibus, que não queria descer no nosso ponto. O motorista riu muito ao vê-la brigando comigo, mesmo sem entender o que ela estava falando. Foi legal ele ter percebido, pois ele olhou para ela e disse: "Docinho, amanhã você anda de novo com sua mamãe." Só assim ela se acalmou e veio comigo para casa.
27 setembro 2009
e o dilema da escola continua
Eu estava no parquinho com Clara quando uma mãe, que lá estava com seus três filhos, perguntou se eu falava espanhol com Clarinha. Conversa vai, conversa vem, descobri que o mais novo dos filhos dela é da mesma idade de Clara.
Perguntei se o garotinho já estava na escolinha, o que foi negado. Mas ela me disse que ele já tinha uma vaga numa escolinha, que eu irei visitar em novembro.
Quando eu disse, que gostaria de colocar Clara na escolinha Montessori, esta mãe me disse:
- mas lá na Montessori não tem brinquedos, as crianças tem que aprender o tempo todo.
Eu, infelizmente, não me controlei e respondi:
- Brinquedos eles tem em casa. E criança gosta é de aprender. É por isso que a Alemanha está perdendo no ranking educacional mundial.
Ela saiu de perto de mim, sem se despedir. Uma outra mãe, Gabi, cujo filho, Niclas, também tem dois anos, estava próxima, ouviu nossa conversa, se aproximou de mim e ficamos conversando.
Por acaso lembrei que tinha lido no blog Pratica Radical o seguinte:
Em nenhum outro país industrializado, a chance de êxito escolar de uma criança é tão dependente de sua origem social como na Alemanha, alerta a OCDE. Quanto mais cedo as crianças forem enviadas a escolas diferentes, pretensamente de acordo com seu talento, maior é o risco de equívocos por parte dos professores e dos pais.
Segundo avaliação da organização, o sistema escolar alemão não seria nada permeável. Para 60% dos escolares, uma posterior mudança de escola significa automaticamente um rebaixamento. Apenas 20% dos alunos que resolvem mudar passam para uma forma de escola que permite maior qualificação.
A matéria completa saiu no Deutsche Welle.
Perguntei se o garotinho já estava na escolinha, o que foi negado. Mas ela me disse que ele já tinha uma vaga numa escolinha, que eu irei visitar em novembro.
Quando eu disse, que gostaria de colocar Clara na escolinha Montessori, esta mãe me disse:
- mas lá na Montessori não tem brinquedos, as crianças tem que aprender o tempo todo.
Eu, infelizmente, não me controlei e respondi:
- Brinquedos eles tem em casa. E criança gosta é de aprender. É por isso que a Alemanha está perdendo no ranking educacional mundial.
Ela saiu de perto de mim, sem se despedir. Uma outra mãe, Gabi, cujo filho, Niclas, também tem dois anos, estava próxima, ouviu nossa conversa, se aproximou de mim e ficamos conversando.
Por acaso lembrei que tinha lido no blog Pratica Radical o seguinte:
OCDE condena discriminação social no sistema escolar alemão
O sistema de enviar as crianças a partir de dez anos a diferentes tipos de escola, algo que existe somente na Alemanha e na Áustria, seria uma importante razão para a desigualdade de chances no sistema escolar alemão, avalia o relatório com base em diversos estudos recentes.Em nenhum outro país industrializado, a chance de êxito escolar de uma criança é tão dependente de sua origem social como na Alemanha, alerta a OCDE. Quanto mais cedo as crianças forem enviadas a escolas diferentes, pretensamente de acordo com seu talento, maior é o risco de equívocos por parte dos professores e dos pais.
Segundo avaliação da organização, o sistema escolar alemão não seria nada permeável. Para 60% dos escolares, uma posterior mudança de escola significa automaticamente um rebaixamento. Apenas 20% dos alunos que resolvem mudar passam para uma forma de escola que permite maior qualificação.
A matéria completa saiu no Deutsche Welle.
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