20 novembro 2011

visitas

Vou receber visitas. Duas lindas, maravilhosas e grandes mulheres da família chegarão aqui segunda-feira. Thianna e Letícia são minhas sobrinhas, que estão de férias pela Europa. Por enquanto no estilo "mochileiro", mas aqui vai ter caminha gostosa, comida da titia, passeios pelas redondezas, visita ao mercado de Natal e quem sabe um jantar na casa da Dani G.

Tenho feito umas artes, por isso fico longe do computador. Mas só posso mostrar semana que vem rsrsrs  Acesso emails e o facebook através dos iPad, mas os aplicativos nem sempre são confiáveis.

Clara está cada dia mais linda e sabida - sou coruja e assumo! Ela tem tido umas tiradas maravilhosas. Eu me acabo de rir ouvindo-a:


_ Mamãe, eu gosto muito de você, sabia? (me parafraseando e daí completa com...) Mas eu gosto muito de mim também!

_ Mamãe, papai está dormindo aqui no sofá. Ele não trabalha mais não, é? - eram 8 da noite e o marido estava exausto depois de uma viagem cansativa

Clara bate a perna na parede, rodopiando e diz bem alto: _ Cacilda, poxa que parilis! Não doeu!

Conversando comigo logo depois de acordar: _ Eu vou para a escolinha, depois eu vou para a escola, depois eu vou para a universidade, depois eu caso, mas eu não quero uma filha, crianças falam muito alto.  - e com cara de feliz canta: criança não trabalha, criança dá trabalho.

Até mais.

11 novembro 2011

é isso aí - lol

Tenho gosto musical eclético, influenciado por minha querida irmã Guida é claro. Tento mostrar de tudo um pouco para Clara e ela adora música, tanto para ouvir como para dançar.

Agora ela descobriu "Legião Urbana" e canta 'Eduardo e Mônica', sabe a letra quase toda, canta gritando, tipo roqueira, em todos os lugares, a todas as horas e esta canção serve até como música de ninar cantada baixinho por mim.

O filho de uma amiga completará 9 anos amanhã e a festa dele será "Black and White", toda decorada com seu ídolo Michael Jackson.

O bolo eu fiz de chocolate com a receita do livro "Confetti Cakes". O recheio foi tipo pudim de chocolate acrescentado de bolinhas crocantes de chocolate. Cobri primeiro com ganache de chocolate ao leite e depois com pasta americana. A silhueta eu inspirei-me na capa do último disco de MJ.



Hope you like it Michael, because Paulo just loved it! This is it.

04 novembro 2011

outono 2011

Depois de superar uns piripacos, estou tentando voltar à rotina. Ficar longe do PC me ajuda a ser mais criativa, a me organizar melhor e por isso o blog fica às traças. Mas como o espaço é meu, eu digito quando posso.

O outono está sendo bem bonzinho conosco e temos feitos vários passeios, respirando, caminhando, vendo as lindas cores, com paisagens que lembram quadros de Monet.



Tenho ido de ônibus para o trabalho. Na volta, sempre caminho do trabalho até um ponto mais perto da estação central, onde pego o ônibus que me traz para casa. Eu poderia pegar num ponto próximo ao escritório. Mas não dá, meu nariz pede arrego e eu tenho de correr do cheiro forte de frituras, que saí de uma lanchonete belga, que fica exatamente em frente ao ponto de ônibus. Vejo o povo comendo batata frita com tanto gosto, mas só o cheiro me dá náuseas.

Caminho em paz, aproveito para olhar as vitrines e uma praça , onde sempre tem algo diferente acontecendo. Outro dia tinha uma banda da PM tocando jazz em plena 1 da tarde.

E hoje eu fiquei louca, surtei de verdade. A loja de presentes mais charmosa da cidade está liquidando, até dia 7.11. Tudo com 50% de desconto, pois é aniversário de 50 anos da loja. E se você fizer compras acima de 30 Euros, você tem ainda 20% de desconto no valor total da nota. Imaginem faqueiros lindos, panelas de todas as cores, vasos de cristal, objetos de cozinha, objetos em prata... tudo com desconto de 50 %.

Daí que eu cheguei em casa e fui verificar se era propaganda enganosa e surtei outra vez, só que desta vez foi um surto negativo. Genteeeeeeeeeeeeeeeee, nao cometam loucuras no Brasil. Só para comparar 1 item que eu vi hoje:

Loja na Alemanha: Le Mini-Cocotte da Le Creuset: 11,95 € / unidade

Loja que está liquidando em minha cidade: em cores variadas, 9 € / unidade

Brasil, loja online (Utilplast): 79 Reais / unidade

Isso é inacreditável. Vou ali, chutar umas folhas para me alegrar um pouco.

17 outubro 2011

tudo depende..

Estou ausente. Em parte por conta própria e falha em gerenciamento de tempo. Em parte por causa do cansaço, que me assolou depois da pneumonia de Clara.

Nos últimos dias, aproveitamos cada segundo de sol para cuidar do jardim, brincar no parquinho e mesmo passear pelos arredores. No primeiro domingo de outubro, resolvemos ir à praia. O Mar do Norte é para mim sempre um gelo, 18°C na água, mesmo quando o ar está quente. Fomos mesmo para curtir o sol, brincar na areia e arejar a mente. Foi uma viagem espontânea, feita em companhia de uma família amiga, que é hiper descolada e sempre topa tudo. Me senti renovada.

Hoje eu fiz a primeira parte de um treinamento de primeiro socorros. Fiquei horrorizada com a falta de conhecimento das pessoas presentes. E também com o descaso. A mulher que sentava ao meu lado direito teve a ousadia de afirmar: eu nunca faria reanimação cardio-pulmonar numa pessoa, mas se fosse meu cachorro, sim, com certeza.

Eu fiquei calada, mas o instrutor perguntou: e se você precisasse de reanimação, ficarias feliz se alguém fizesse isso em você. Calada ela estava, calada ela ficou. Minha mamãe dizia: quem cala, consente.

Tudo depende realmente do ângulo de visão da pessoa. 



E para deixar registrado:  Acho suspeito citar saudável e coca-cola numa frase só. Essa iniciativa Emagrece Brasil com patrocínio da Coca serve realmente para que, heim? Daí eu leio: "Pode tomar chá ou café à vontade, com adoçante." no blog da iniciativa e fico aqui matutando: adoçante? quem produz?
Coma açúcar com moderação, é menos ruim para sua saúde, penso eu. Ou tente abolir totalmente o açúcar das bebidas, vai ser melhor ainda para você. Beba água, bastante água. Coma comida de verdade. Quanto mais industrializada, pior para sua saúde.

Eu li uma receita americana, que continha um ingrediente chamado "Cool Whip". Quando pesquisei sobre o tal produto, quase tive um ataque de risos. Fabricado pela Kraft, Cool Whip é uma imitacao de creme de leite batido. Feito com

água, gordura vegetal hidrogenada (incluindo coco e palma), glicose com alto teor de frutose, glicose, leite desnado, creme de leite desnatado e menos de 2% de caseína sódica, sabor natural e artificical, goma xantana, goma jataí, polisorbato 60, monoestereado sórbito e beta caroteno.

O negócio do Cool Whip fica 12 dias em temperatura ambiente, sem mudar seu aspecto, sem estragar.

Para mim, isso está fora do termo COMIDA.

A firma Kraft é a mesma que produz o Tang no Brasil. O pessoal do Super Ziper já tingiu lã natural com Tang. A Kraft também produz o queijo Philadelphia (Leite integral, creme de leite, soro de leite em pó, sal, fermento lático, espessante goma jataí e conservador sorbato de potássio.)

E depois de tomar uma sopa saborosa, feita com mini abobrinhas (minha horta), folhas de beterraba (idem), cenouras, estrelinhas de macarrão, a loirinha me olha e diz: tira uma foto minha com maquiagem. E fecha os olhos para mostrar a sombra verde metálica. EUMIACABO!!!!
Posted by Picasa

25 setembro 2011

pelo mundo outra vez


Estamos melhor. Clara já está quase 100% boa, o pulmao está livre e aproveitamos a temperatura acima para passear um pouco.

Fotos do passeio mais tarde.

Vou dormir, segunda eu volto ao batente!!!!!

Boa semana a todos.
Posted by Picasa

17 setembro 2011

dodoizita

Parece brincadeira, mas não é. Fabiola postou um comentário num posting sobre minha volta para casa do hospital. E quase que eu vou pro hospital outra vez.

Clara adoeceu, mas eu resolvi seguir meu coração de mãe e optei por tratá-la em casa.

Tudo começou no domingo passado. O tal domingo fatídico com chuva e carro quebrado!

Clara acordou febril, mas nada que preocupasse o pai. Como ela tinha um convite para a festa de aniversário de um amigo do Kindergarten, o pai deu uma dose de antitérmico e ela saiu, serelepe e saltitante, para ver Benedikt - o tal amigo.

Depois da minha odisseia com o carro, pegamos Clara na festa e fomos jantar na casa dos meus sogros, que fica a 83 Km daqui. É rapidinho, é vapt-vupt, se meu marido estiver inspirado e a estrada livre, o percurso é feito em 45 minutos. Durante o jantar, ela não quis comer nada, do bolo ela comeu um tiquinho só. Eu percebi que a febre tinha voltado e dei antitérmico, pois ela estava chatinha, choramingando e reclamou de dor de cabeça.

De cara eu pensei: merda, essa menina está com uma virose. Mas ela dormiu bem e acordou disposta, alegre e tagarelante.

Na segunda pela manhã ela foi para o Kindergarten. Mais ou menos às 11 horas a professora ligou para meu celular pedindo para eu ir buscar Clara, que estava febril e reclamando de dor de cabeça. Virose, pensei eu.

Levei ao pediatra, que me aconselhou ficar em casa, dar-lhe líquidos e muito repouso. Na quarta-feira Clara continuava febril, na verdade a temperatura começou a oscilar entre 38 e 39,5, a falta de apetite era notável e ela estava sem ânimo para nada. A tosse estava cada vez mais forte, mas tosse é sintoma e esta tosse era seca, não-progressiva. Até aí eu estava calma e confiante, que o vírus iria sucumbir aos meus cuidados.

Durante a noite, ela suou muito. Meu marido e eu pensamos que ela acordaria bem. Infelizmente ela acordou febril e sua respiração estava como se ela tivesse bronquite asmática. Voltei correndo para a pediatra. Aquela era uma Clara anormal, que me deixou preocupada. Virose coisa nenhuma, isso é algo mais grave, diziam meus botões.

Primeiro a pediatra examinou os ouvidos e depois auscultou os pulmões. Até aí, tudo estava muito bem, obrigada. Mas de repente ela "viu" a respiração ofegante e pegou um oxímetro. A saturação de oxigênio estava em 86. A menina continuava linda, leve, loira, tagarela e, na verdade, ela estava com baixo oxigênio, pode? Pode, chama-se de compensação. A pediatra disse que seria aconselhável ir para um hospital.

Pensem num desespero pior do que a pane na Autobahn sem telefone, foi o meu. Pensei no hospital, no problema de infecção hospitalar, na comida de hospital, na falta de conforto e finquei o pé, disse que não iria sem antes testar a reação dela à nebulização. No hospital o tratamento seria: oxigênio, nebulização e antibiótico intravenoso. Em casa faltaria o oxigênio.

Clara tomou nebulização ali mesmo, na sala onde estávamos. O exame de sangue acusou uma leve infecção.
E a segunda medição com o oxímetro indicou uma melhora, o valor passou para 90, quando o ideal seria 95. Ninguém entendeu o exame de sangue, mas pode ser infecção por micoplasma, que causa a tal de "pneumonia atípica". Saí do consultório com prescrição para antibiótico, Salbutamol, Atrovent, NaCl, Ibuprofeno, a guia de internação e a recomendação de fazer mais uma nebulização em casa e voltar ao consultório depois de duas horas.

Dito e feito, retornamos depois de duas horas e o oxímetro mostrou 92, o que indica uma boa reação aos medicamentos.

Desde então estamos em casa, assistindo todos os DVDs possíveis, pintando mandalas, desenhando, jogando no iPad e tentando descansar. Enquanto Clara descansa, eu estou parecendo um zumbi, sem dormir, pois temos que fazer nebulização de 4 em 4 horas, mesmo durante a noite.

Hoje ela acordou rosadinha. A temperatura ainda continua na casa dos 38 e o apetite ainda está fraco.

Encontrei por acaso com o médico-chefe da emergência do hospital das clínicas hoje cedo no supermercado. Meu marido joga hóquei com ele e ao me ver, ele falou brincando:

- Êta que a noite foi boa, seu marido voltou cedo do jogo ontem, ele nem tomar cerveja com a gente tomou. E você pelo jeito não dormiu muito.

E deu aquela risada. A mulher dele deu-lhe uma cotovelada e mandou ele me tratar com mais respeito.
Quando eu disse que Clara estava em casa com pneumonia, ele me olhou sério e disse:

_ Sei que é exaustivo, mas foi a melhor coisa a fazer. Nós estamos com problemas de super-infecções, principalmente em pessoas com problemas respiratórios. Fique em casa com ela. Se ela precisar de oxigênio, me ligue.

E aqui estamos nós, firmes e fortes, para mais uma noite de enfermeira-mãe.

p.s. Eu já sei de cor as falas de Nemo, Barbie em Mermadia, Cars I, Sininho, Laura Stern na China, Barbie e as 12 Princesas Bailarinas. Eu me recuso a assistir Thomas a locomotiva, Bob the builder, Biene Maia e tenho medo de Puh the Bear arghhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh

p.p.s.: porque cargas d'água os alemães acreditam que remédio não pode ter gosto bom. Tomar claritromicina sem nenhum aditivo é ruim demais. Nestas horas eu quero um aroma artificial de morango, tutti-fruti ou qualquer outra porcaria que dê um gostinho menos ruim. Clara toma o antibiótico a contra gosto e para rebater o amargo do remédio, ela toma suco de maçã.

o dia do artesao 2011 - com fotos?

Nos fins de semana no verão sempre tem um evento acontecendo na cidade. Há duas semanas foi o Dia do Artesão, que deveria chamar o fim de semana do artesão, já que são dois dias de exposição no centro da cidade. Uma amiga iria expor seus trabalhos na Annastrasse, que é a rua mais antiga da cidade. E marido e filha resolveram me acompanhar. Estacionamos bem perto da Annastrasse e logo dei de cara com essa beleza abaixo. Se eu casar na igreja, quero um carro assim, moderno e cheio de estilo.

Um cheiro bom de pizza assada no forno de lenha pairava no ar. Era um pessoal bem moderno, que constrói fornos de alvenaria, com endereço na web e tudo o mais. A pizza era fininha e parecia gostosa, não comi pois havíamos tomado café da manhã.

Aê o rasta, construtor de fornos e garçon de pizza :

Essa abaixo é a Julia, minha amiga e vizinha, com seus colares e tigelas de papel marchê e prata. Eu passei na casa dela uma semana antes e ajudei a carregar um monte de tigela de papel marchê por três lances de escada. Canso só de pensar. Mas ela é amiga de verdade, muito divertida e prestativa.

Dêem uma olhada no espelho... Aqui eu pirei, tudo imitando comida, docinhos, bolinhos, etcs.

Parecem bolinhos, né?

E aqui as jujubas - gente, preciso de uma máquina nova urgente.

Vi um conjunto de band-aid com pedrinhas Svarovski, mas a foto ficou escura - Aninha, lembrei de ti, glamour puro.

Isso é uma roca. Lembram da estória da bela adormecida? Na que eu tinha, ela furava o dedo numa roca. Vi ao vivo aqui na Europa e tenho uma amiga, especialista em computação, administradora de SAP, doutora em matemática, linda, loira e magra (!), que faz sua própria lã, como passatempo, numa roca antigona. Ela diz que é altamente calmante, que tomar uma taca de vinho tinto e fiar é como passar 3 dias meditando num Ashran indiano - algo que nem eu nem ela fizemos para saber como é, mas acho que eu gostaria de viver esse lado "comer-rezar-e-amar".

A Annastrasse acaba na praça da catedral. Aqui, perto da igreja mais importante de Aachen, tem lojas especializadas em hábitos religiosos, ornamentos para igrejas e velas. E eu adoro a loja de velas. Olhem a deco.
 
Sem falar que eles tem velas de todas as cores, sempre de acordo com a estação do ano, velas personalizadas, velas de todas as formas e é tudo feito aqui pertinho. Eu comprei umas velas lá e elas estavam "pingando". Liguei e perguntei se era normal. A mulher da loja mandou eu passar lá e me deu um conjunto novo de velas, sem pedir recibo - ó-paí-ó, vamos aprender lojistas brasileiros, nem precisei chamar o "SAC" rsrsrs

E esse aqui é o estande de minha ceramista predileta.

Ela vem todos os anos para o dia do Artesão. Eu tentei chegar cedo pois eu queria comprar umas tigelas dela com a estampa de papoula - como na caneca.
 
Para o meu azar todas as tigelas estavam vendidas, todos os pratos grandes vendidos. Uma pena para mim e uma sorte para ela. Fiquei feliz, pois ela faz um trabalho muito bonito. É uma cerâmica fina, quase como porcelana.

Uma conhecida minha, també quase vizinha, estava expondo suas artes. Ela faz uns trabalhos com vidro, arame e pedras, tudo para o jardim. O marido dela estudou paisagismo e juntos eles fazem jardins maravilhosos, mas nada ao alcance do meu bolso, infelizmente.
 
Clara queria um ladrilho assim.... nem imagino o porque.



Na volta eu quase bati de cara com a formiga gigante, também em cerâmica. Achei feio, tosco, sem charme.

E essas duas mulheres são da loja de lã mais antiga da cidade. Tricotando de verdade, pois as duas não paravam de cochichar enquanto tricotavam.


Também, era cada figura que passava, que eu vou te contar, heim!

Só ao voltar para o carro é que notei a vitrine com coisinhas recicladas. Não sei dizer que gostei, mas fotografei para registrar. Mesa feita de tampo de vidro e potes de iogurte:



Cinzeiros de latinha - isso é bem hippie, né? Prefiro outros objetos a cinzeiro. Isso foi um pedacinho do dia do Artesão. O calor era intenso e decidimos tomar um sorvete e dar um passeio de bicicleta para "arejar". Se clicar na foto, ela amplia, viu! E neste fim de semana tem o September Special, com música ao vivo em várias partes do centro.
Posted by Picasa

12 setembro 2011

zum Kotzen

Uma expressão alema muito usada por que está enervado com alguma coisa é "Das ist zum Kotzen", que significa algo como "isso me dá ânsias".

Sábado pela manhã eu acordei cedo, fiz uma torta salgada e dois bolos de limão. A torta foi para a festa a la Saturday Night Fever, da Priscila, que mora um pouco longe de Aachen. Um bolo para o café na casa da Ana (linda e maravilhosa, poderosa e forte Ana), que me deu abrigo, cama, comida, chá e carinho, e um bolo, que eu recheei e cobri com ganache, para o aniversário da minha sogra no domingo.

Depois de limpar a cozinha, arrumei minha mala, coloquei gasolina no carro e me mandei para Frankfurt. A viagem foi tranqüila, a festa da Priscila foi maravilhosa e a noite rejuvenescedora na casa da Ana, me deixaram preparada para pegar a estrada de volta domingo.

Tudo começou bem, bem mal mesmo. O primeiro engarrafamento foi no Wiesbadener Kreuz, só uns 6 km, por causa de um acidente. Mal o engarrafamento acabou, a chuva forte castigou a estrada. Gente, eu nunca vi chuva assim. Até os carrões potentes, tipo BMWs, Porsches, Audis e Phaetons, estavam na pista da direita, a não mais de 60 km/h. No rádio de 5 em 5 minutos vinha o aviso: cuidado, perigo de aquaplanagem. Vim rezando, pedindo a Deus para chegar salva em casa. Por duas vezes eu tive a impressão que meu carro estava nadando mesmo. No acostamento eu via carros e mais carros, quebrados, sob a chuva forte e meu coração acelerava, querendo chegar logo em casa. O tempo todo eu pensava em parar, mas algo me dizia para eu seguir em frente.

Depois de quase 4 horas dirigindo, faltando somente 10 km para chegar em casa, vejo as luzes do carro de policia e penso: por favor, nenhum engarramento. Mas meu pedido não foi atendido. O cruzamento de 3 Autobahn estava totalmente fechado. Parei o carro e pimba. Pensei que tivesse enganchado o sapato no pedal. A embreagem não voltou. O pedal não mostrava pressão nenhuma. Potaqueparilis, não dava para ser depois de eu chegar em casa?

 A sorte é que eu estava a uns 5 metros de uma parada de emergência. Baixei o vidro e acenei para o rapaz que estava ao lado. Ele não conversou, ligou o pisca-pisca, saiu de seu lindo BMW 5, branco,  e me empurrou até a parada. Peguei o celular e pimba 2, estava totalmente descarregado.

Como boa motorista, coloquei meu colete de emergência, armei o triângulo, coloquei no lugar e acenei para o primeiro carro que passou. A motorista parou e o pai dela, que estava no banco do carona, me emprestou o celular para eu falar com Peter, meu marido. O marido ligou para o guincho e eu fiquei lá, esperando, sem celular, desesperada. As lágrimas de estresse escorriam por meu rosto. A sensação no estômago era de queimação. A situacão era realmente "zum Kotzen".

Um carro da polícia passou e ofereceu ajuda, mas eu sabia que meu marido já tinha ligado para o guincho.
Eles ainda voltaram duas vezes para ver se estava tudo em ordem, pois eles estavam patrulhando a área. Depois de uns 30 minutos, Peter chegou, eu chorei mais um pouco e me acalmei.

No final, carro guinchado até a oficina, o conserto não vai ser tão caro e eu estou aqui, sã e salva no aconchego do meu lar.

Mas que foi Zum Kotzen, foi SIM!

08 setembro 2011

água na cidade

Calma! Tem chovido muito, sim. A água da chuva não trouxe problemas para mim. Porém, eu estou acostumada a beber água da torneira na minha casa. Eu compro água mineral para o marido e convidados. O meu normal é beber da torneira, sem aditivos ou gás.

Aqui no escritório a água tem um gosto totalmente diferente, pesado, como se tivesse gás. O prédio é novo e a tubulacao é nova. Mas a água difere da água do meu bairro.

Sim, água difere no sabor, no cheiro e na composição química. E sim, eu sinto o gosto da água.

A "minha água" em casa tem dureza levíssima, com 0 a 1,5 mmol/l. Ou seja 0 bis 8,4 °dH em graus alemães. Sendo que a última analyse da Embasa, ups, digo Stawag (cia de água, luz e saneamento da cidade) indica que a água do meu bairro está com 0 a 0,3 mmol/l, ou seja quase imperceptível.

A do escritório tem 1,5 a 2,5 mmol/l. E minhas papilas degustativas percebem isso.

Vou trazer água de casa e ponto. Pelo menos eu venho de bicicleta ou de ônibus, então não vai contar muito no balanço ecológico.


07 setembro 2011

dodoizinha? um sorvete talvez resolva

Existe um comportamento muito comum em pais, que é falar algo como por exemplo "isso não é nada, já passou", quando uma criança se machuca.

Ontem Clara foi ao pediatra tomar sua segunda dose da vacina contra hepatite A. Não faz parte do calendário, mas foi recomendado por irmos frequentemente ao Brasil e outros países.

Pela manhã, antes de sairmos de casa, eu conversei com ela e expliquei que iria doer. Mas que era uma dor necessária, melhor do que ficar dodoí. Na hora que eu a peguei na escolinha, ela começou a choramingar, com medo da injeção. E eu continuei a ladainha, que ia doer, mas que ia passar rápido, que era melhor do que ela ficar dodoí e que depois do médico nós poderíamos tomar um sorvete. Ao que ela simplesmente respondeu: OK.

Essa menininha, loirinha, que é meu bebezinho, agora menininha forte, entrou no consultório de cabeça erguida e só chorou quando a médica aplicou a injeção. Depois saiu mancando, pois a perna estava doendo muito e o band-aid incomodava - palavras dela!

E eu fiquei chorando por dentro, por ela ter sentido dor. Coisa de mãe besta, que tem as torneiras dos olhos abertas e sente a dor da filha.

Mas deixa eu falar o porque ser tão realista e falar sobre dor com a Clara: Foi algo que eu aprendi num seminário dado pela polícia de prevenção contra abusos de menores aqui em Aachen. A policial explicou que se você sempre diz para a criança que aquela dor que ela sente ao bater a cabeça, ao brigar com o irmão, ao se cortar, ou o que quer que seja, não é nada. A criança se acostumará que dor é algo normal e a mãe/pai não dá muita importância, por isso ela provavelmente se fechará, caso seja perturbada.

Melhor é dizer para a criança, que você entende a dor, mas que você fará o possível para ajudá-la, seja com um sopro, um beijo, um band-aid bonito, uma bolinha homeopática de arnica, um ursinho de jujuba em cima do machucado ou o que sua criatividade mandar. Caso ela um dia necessite de ajuda por ser molestada, ela confiará que você (pai/mãe/dinda/irma/vó/vô) está aqui para melhorar a vida dela.

Ao sair do consultório nós fomos na Ikea, com direito a sorvete, torta e velas cor-de-rosa para o quarto dela.




05 setembro 2011

continuando as férias...

Minha cidade natal chama-se Alagoinhas. Acho que antigamente Alagoinhas era um pântano. Berlim também foi um pântano um dia. E ainda existe água por todos os lados.

Aproveitamos um dia sem chuva para alugar um barco em Werder, a região das frutas no estado de Brandenburgo. Mas precisava ser um barco com este nome, sério meu?


Clara e eu nos divertíamos, enquanto o papai pilotava.

Pontes e táxi naval - existe isso lá no Norte do Brasil, penso eu.


Esse Fusca é um pedalinho. Haja perna para mover esse trambolho na água, mas que é bonitinho, isso ele é, né?

Nossa aprendiz de marinheiro tentando ler o mapa (de cabeça para baixo!)

E isso é um Hausboot - chamam de Penichette, uma embarcação projetada para navegação fluvial que tem o conforto de um trailer. Existem várias de todas as formas e cores nos rios de Berlin e arredores.


E esse barco chamado Havelwunder foi pintado por um artista local. Dá um ar bonito ao ancoradouro da ilha de Werder, eu acho.


Paramos num supermercado e o jantar foi espaguete com legumes.

Depois de uma boa noite de sono, acordamos com o barulho da chuva. Depois de um demorado café da manhã, tentamos conseguir ingressos para um show infantil num teatro, mas o mesmo já estava esgotado.

Decidimos ir ao Museu Guggenheim de Berlin. Lá haviam vídeo-instalações, inclusive algumas sobre as quais eu tinha lido. Clara ficou quietinha vendo coisas surreais, como a imitação das crateras da lua numa praia holandesa.



A chuva deu uma parada ao saímos do museu. Passamos num restaurante indiano, cuja comida deixou muito a desejar e resolvemos coroar o final do dia com um mega, super-gostoso, fantástico sorvete na Vanille & Marille.

Duas bolas: uma de manga e uma de caramel beurre-salé, num copinho, por favor, com colher cor-de-rosa e sem biscoito.


Existe uma filial em Steglitz, o bairro onde estávamos. E é tudo rosa-pink, diria Beatriz.

Acordamos mais uma vez com chuva. Mas a meteorologia indicava chuvas esparsas e resolvemos arriscar a fazer um passeio de bicicleta.

Clara estava totalmente sem vontade e como o caminho era por uma estrada, Peter cedeu e colocou ela no Trailgator. Vejam as nuvens, negras que pouco depois nos fariam parar e serem esganados por mosquitos terroristas, embaixo das frondosas árvores, que nos davam um pouco de proteção.

Flores, ervas, géleias e verduras em cima da mesinha, preços escritos num papel qualquer e um potinho para o dinheiro - imaginar isso no Brasil é piada, né?

A região do norte de Brandenburgo fazia, geologicamente falando, parte da geleira escandinava. As pedras vieram rolando do pólo norte até lá. A arquitetura local usa muitas pedras. Muitas vezes nos lembrava a Suécia.


E vamos aproveitar que estiou e dar uma esticadinha nas pernas:

O pôr do sol neste dia foi deslumbrante. A foto não faz jus.



Posted by Picasa

28 agosto 2011

minha mae dizia...

Minha mamãe sempre dizia para os filhos:

_ Isso é conversa de adulto. Vá brincar.

E se a gente perturbava e ficava rondando ouvindo a conversa, ela dizia: Nada de comentários lá fora, heim!

Agora eu sei porque:

Daí que estávamos Clara e eu num ponto de ônibus, quando um carro parou e nos ofereceu carona. Era um casal amigo, que tem uma filha da idade de Clara.

Mal entramos, a mãe da menininha falou:

_ Nós fomos ao médico, fazer o exame de rotina dos 4 anos.

*aqui na Alemanha existem vários exames de rotina para crianças

Ao que o pai da menininha diz:


_ Imagina, que o médico disse que nossa filha está gorda?!


Eu fiz cara de espanto e disse: _ É mesmo?


E  o pai adiciona: _ Ele está louco. Minha filha não está gorda. Ela é fortinha.


Na minha cabeça passavam as cenas vividas na escolinha e parquinho, onde a menininha se enchia de salgadinhos, docinhos e biscoitos. Porém eu estou aprendendo a ficar calada e nada disse.


Ao chegarmos em casa, meu marido já tinha voltado do trabalho e nos recebeu na porta (acho que ele queria dar uma olhadinha na escada nova ;-) ). Clara mal entrou, falou:

_ Papai, o médico disse que "fulaninha" está gorda. Mas, sabe papai, ela só come salgadinho. Eu como de tudo, né?

E eu agradeci em pensamento, por ela não ter falado nada no carro

26 agosto 2011

a escada

Nossa escada, na entrada da casa, estava totalmente destruída pela neve e chuva.

Nós contratamos uma firma especializada em cálcario azul, que na verdade é acinzentado. E foram duas semanas de trabalho árduo.

Primeiro eles tiraram a parte da escada feita em alvenaria.



Olhem o estrago! Pensávamos que uma parte maior seria aproveitada, oh céus!!!!

Pausa para o café!



O filho do chefe trabalha, pesado! O loiro chama-se Nico e sempre, com muita educação, pedia um café.






Aproveitamos a parte de pedra, pois tirar seria um abacaxi. Cada degrau pesa ca. de 300 kg.

 

 

Os novos degraus pesam ca. de 70 kg

 

 

 

E antes de ir embora, eles arrumam tudo. Ferramentas e roupas ficam organizadas.



O passeio limpo e a fita de proteção evita acidentes:



 

Essa era a escada provisória:

 

 

E aqui a escada, quase pronta. Falta o corrimão  e refazer esse tiquinho de jardim:





E refazer a entrada da garagem, que ficou destoante. E o pátio, que também está se desmoronando. E, e, e... quem tem casa sabe, tem sempre uma reforma a ser feita. Agora mãe, eu entendo!