16 junho 2007

procedimento cirúrgico eletivo

Só de pensar neste termo, eu tenho medo.

Eu sonhei com um parto natural, humanizado. Li e me informei. Porém nem tudo acontece de acordo com nossa vontade. Eu sei que nem por isso deixarei de ser melhor mãe ou serei menos mulher. Mas que dá medo, dá!

Anestesia, corte, pontos, possibilidade de infecção, o perigo de hemorragia devido ao anticoagulante e uma recuperação bem mais lenta, além da dor do pós-operatório - tenho o direito de ter medo. Eu sei o que é uma cesária.

Eletivo = por eleição, ou seja, por escolha. Mas peraê, a escolha é minha, ou não?
Desta vez, não, Marcia. Desta vez, você vai seguir o conselho de médicos, parteiras e amigas e passar por um procedimento cirúrgico eletivo.

Pois é, a cesária está decidida. Um dos médicos chefes da área de ginecologia e obstetrícia me colocou a par de todos os riscos de um parto normal, no meu caso. E me deu tempo para pensar. Sabe aqueles filmes de horror, dos que nos deixam arrepiadas só de pensar, foi o cenário que ele projetou. Só para citar alguns termos: ruptura de útero, descolamento prematuro de placenta, sofrimento fetal... e aqui a gente pára e esquece do tempo para pensar.
Nestas horas a gente só pensa, que ele tem uns 25 anos de experiência no assunto. Para pouco depois descobrir, que a esposa dele perdeu um neném na 40a semana por descolamento prematuro de placenta. Ah, o cara viveu na pele e sabe bem do que está falando! Ah, ela tem deficiência de Protéina S - pior ainda. O horror não acaba mais!

Mesmo assim eu vou continuar sonhando, que eu não perceberei as contrações e chegarei no hospital com pelo menos 5 cm de dilatação, evitando passar por um procedimento cirúrgico eletivo. Terei meu neném, de uma forma ou de outra.

Mas me deixem aqui sonhando, pedindo a ajuda ao nosso Criador.

Ano que vem eu terei de passar por outro procedimento cirúrgico eletivo para tirar a placa de titânio e os sete parafusos da minha perna esquerda. Fiquei me perguntando se eu vou apitar quando passar pelo controle no aeroporto? Gente, alguém sabe se apita quando temos metal no corpo?
Não, seu guarda, eu não estou carregando armas comigo. Não, seu guarda, aperte aqui que o Senhor sente a placa e os parafusos. Ah, eu só vou poder ser liberada após tirar uma radiografia? Não, Senhor, eu estou amamentando, quero ficar longe de radiação!

E nesta hora, nem lembrarei, que o parto não foi natural e humanizado, com um grande sorriso nos lábios.

15 junho 2007

updatadando

Está tudo bem, tanto comigo, quanto com o neném. Estou cansada, mas isso é normal para quem levanta entre 3 e 5 vezes por noite - Dani G. que o diga.
Nos mais agora é descansar, tomar bastante líquido, usar minhas adoradas meias de alta-compressão e minhas injeções todos os dias e esperar para ver.
Fiquei impressionada, pois meu médico estava tentando ver a veia uterina esquerda, quando ele murmurou: Ih, tá cheio de cachinhos. Eu olhava para o monitor e nada via. Depois que ele mediu o fluxo sangüineo, ele me mostrou os cachinhos. Pena que antes dele congelar a imagem para imprimir o neném mexeu! Não é meu; eu não tinha cabelos!

ainda dos livros preferidos

Comentário de minha querida e amada irmã Magda:

Pois é, ficávamos lendo, lendo e lendo e minha mãe a receber "huns" como resposta ao chamado do almoço, ela não permitia que levássemos o livro para a mesa, dizia que era deseducado comer lendo, graças a Deus, senão faríamos isso até hoje, lembro bem, que ríamos quando ela tomava o livro, a comida esfriando e comíamos rápido para voltarmos a ler. Hoje eu continuo lendo, não tanto quanto eu gostaria, o tempo, o cansaço do dia e as responsabilidades do outro porvir não me permitem ler até terminar o livro altas horas da noite, como fazíamos, levantávamos e íamos fazer "farofa com café" ou roubar doce de carambola ainda sem terminar o cozimento, mas... gostoso que só a mãe da gente sabe fazer. Eu sou a censora, não a " irmã mais velha" , claro! mas a primeira irmã que censurava os livros, ela só tinha nove anos e lia tudo que lhe caia as mãos, sem censura ia ser um horror!

Um episódio interessante, aconteceu , dela (Marcia) estar com um conhecido na rua, ele parou para conversar com um amigo, nesses encontros casuais e ela, com os pés, conseguiu desenrolar um pedaço de jornal velho e começou a lê-lo ali, de pé, enquanto esperava, ela sempre foi assim, linda, sou responsável pelo seu gosto apurado por leitura, a ha! Eu lia e passava o livro depois para ela. Eu amo essa garota, ela é um misto de irmã, filha, amiga e companheira de todas as horas. beijos, se cuidem "a primeira irmã", Magda.

Os meus cinco: a Idade da Razão de Sartre, pelo momento em que o li, tinha 17 anos; Meu Pé de Laranja Lima, também choro até hoje; As brumas de Avalon, tão lindo! O Sr. dos Anéis, lerei quantas vezes me der na telha e de O Caçador Pipas, as razões você já conhece. Agora tem um livro que povoa a minha mente, eu não li e não sei qual é, mas Marcia o leu durante uma viagem de Roma para Veneza, com o trem quebrado, duas horas além do previsto e eu sem nada para ler e ela lendo, lendo e lendo e eu lá olhando, olhando, olhando, era em alemão e eu não leio alemão.
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Eu não lembro mais qual o livro, que eu estava lendo entre Roma e Veneza (Leandro, pode deixar que quando você estiver morando aqui, este tipo de viagem tornar-se-a comum, é como ir alí, na Ilha de Itaparica).

Meu marido reclamou muito uma vez que estávamos voltando da Suécia para a Alemanha e eu comprei um livro novo de H. Mankell em suéco e li quase o caminho inteiro, enquanto ele dirigia.
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Mais tarde eu deixo um update sobre a consulta. Se meu pc funcionar, estou tendo blue screens toda hora.

14 junho 2007

Relembrando

Este mundo está mesmo cada dia menor! É quase inacreditável reencontrar alguém, nem que seja virtualmente, após quase 3 anos.

convite@Simone Perez Fiali: Eu fiquei emocionada ao ler seu comentário. Claro que eu lembro de vocês. Nós conversamos muito, falamos sobre suas filhas, sobre a língua espanhola, sobre os deliciosos tapas que foram servidos, da maravilhosa música ao vivo e dançamos bastante, enquanto "los hombres" se quedavam a fumar charutos e beber Carlos I. Foi um casamento inesquecível e nosso contato com Ricardo e Sylvia continua, apesar da distância. Eu escrevi sobre o novo empreendimento de Ricardo aqui. Pena que ainda não tive oportunidade de provar o sorvete. Meu marido diz que é simplesmente divino. Todas as vezes que estou presente quando eles se falam ao telefone, eu peço umas amostras grátis, mas ele nunca envia. Quem sabe no verão que vem, poderei ir à Suécia provar.

É, a foto confirma, eu guardo os convites de casamento de amigos. E este realmente foi lindo. Engraçado, pois eu estive comentando há umas duas semanas com meu marido sobre o casamento de Ricardo e Sylvia. Falamos sobre a Extremadura, Cáceres, Jamón Ibérico de Bellota e de que gostariámos de voltar a esta região. Nós fomos de Cáceres para Portugal e nossas férias teriam sido melhor na España - disso eu tenho certeza!

Yo estoy embarazada sí! A foto confirma. Eu estava colhendo umas flores no jardim hoje cedo e Sônia aproveitou para tirar uma foto. gravida hippie
Para as freqüentadoras assíduas: Este é meu modelito predileto de verão.

Amanhã terei consulta. Devo fazer exames para ver se tenho estreptococos - é rotina aqui. Mas tenho certeza de que está tudo bem.

13 junho 2007

os 5 livros preferidos

Cissinha resolveu me passar a tarefa de falar dos meus cinco livros preferidos. Coisa difícil falar somente sobre os cinco preferidos. Eu leio muito, sempre li muito. Lembro-me que aos sábados minha mãe ia para a feira e normalmente o almoço saia mais tarde. Muitas vezes ela nos chamava e nem resposta recebia, pois estávamos todos entretidos: LENDO. E ela saia recolhendo os livros e nós, filhos, reclamando, que era só mais uma linha, uma página ou um capítulo. Ela ria e dizia que poderíamos continuar após o almoço. Eu lia até as "Júlias", que vinham na caixa de sabão em pó, após a triagem da irmã mais velha.

Um livro, que marcou muito minha infância, influenciou e ainda influencia meu jeito de ver coisas ruins da vida de um outro modo, foi Pollyana. Jogar o "jogo do contente" é uma maneira fácil de transformar tristezas e decepções em algo tolerável.


Sem querer copiar a Sandra M., eu quase morri de chorar ao ler "Meu pé de laranja-lima". Nossa, foi forte demais para uma pré-adolescente como eu. Nunca vi o filme, mas acho que se eu lesse o livro outra vez, cairia no choro descabelado como se tivesse 9 anos de idade outra vez.

Aos 14 anos descobri Hermann Hesse. Dentre O lobo da estepe, O jogo das contas de vidro, Demian e Siddharta, o Siddharta é o meu preferido. Foi um dos primeiros livros que eu li em alemão, na verdade reli, pois havia lido várias vezes em português.

Nos últimos tempos eu tenho lido muito, mas quase nenhum livro deixou tantas marcas como O caçador de pipas de Khaled Hosseini, talvez por ter me identificado muito com a estória.

Um outro livro que eu aconselho a todos é a autobiografia de Nelson Mandela - "Longo Caminho para a Liberdade". Este livro contra sobre a luta contra o Apartheid na África do Sul e como ele suportou 27 anos e 190 dias na prisão.

Quem gostaria de contar sobre os seus livros prediletos? Sente-se, abra uma página e nos coloque a par de sua leitura predileta.

12 junho 2007

updatando

Desde sábado à noite eu estava sentindo umas coisas estranhas. Após colocar o posting de domingo no ar, pensei que eram contrações. Levantei, tomei um belo banho, lavei o cabelo e acordei o marido. Se é para ir parir, irei bonita, asseada e tomada banho, pois pagar mico com suor fedorento só se for em outra vida.
Por outro lado, pensei que poderiam ser as contrações que sentimos quando o útero baixa. Mas-porém-contudo-todavia tenho minha estória, e pensei, que seria bem melhor ir logo verificar o que estava acontecendo.
E lá fomos nós mais uma vez em direção ao Klinikum, num belo domingo chuvoso. A CTG acusou várias contrações, porém irregulares. O colo estava estável, com 2 cm. A enfermeira-parteira nos aconselhou a esperar o médico para fazer ultrasonografia e depois dar-mos um passeio. Ou eu entraria em trabalho de parto, ou nada aconteceria, disse ela.
Após quase uma hora de espera, um dos médicos chefes chegou e fez ultrasonografia. E me aconselhou a ficar no hospital, em observação. Como desde ontem à noite eu não tive nenhuma contração, eles fizeram uma outra ultra com doppler para verificar a placenta e a circulação do neném e me liberaram, com a recomendação de que se eu sentir uma única contração eu devo voltar imediatamente, nem que seja para fazer CTG e voltar para casa.
Uma coisa boa desta vez, foi ter Soninha por perto, que me levou comidinhas, frutas, saladas e passou as tardes comigo.
Mas aqui estou eu, de volta ao meu aconchego. Já estava com saudades.