Existe um comportamento muito comum em pais, que é falar algo como por exemplo "isso não é nada, já passou", quando uma criança se machuca.
Ontem Clara foi ao pediatra tomar sua segunda dose da vacina contra hepatite A. Não faz parte do calendário, mas foi recomendado por irmos frequentemente ao Brasil e outros países.
Pela manhã, antes de sairmos de casa, eu conversei com ela e expliquei que iria doer. Mas que era uma dor necessária, melhor do que ficar dodoí. Na hora que eu a peguei na escolinha, ela começou a choramingar, com medo da injeção. E eu continuei a ladainha, que ia doer, mas que ia passar rápido, que era melhor do que ela ficar dodoí e que depois do médico nós poderíamos tomar um sorvete. Ao que ela simplesmente respondeu: OK.
Essa menininha, loirinha, que é meu bebezinho, agora menininha forte, entrou no consultório de cabeça erguida e só chorou quando a médica aplicou a injeção. Depois saiu mancando, pois a perna estava doendo muito e o band-aid incomodava - palavras dela!
E eu fiquei chorando por dentro, por ela ter sentido dor. Coisa de mãe besta, que tem as torneiras dos olhos abertas e sente a dor da filha.
Mas deixa eu falar o porque ser tão realista e falar sobre dor com a Clara: Foi algo que eu aprendi num seminário dado pela polícia de prevenção contra abusos de menores aqui em Aachen. A policial explicou que se você sempre diz para a criança que aquela dor que ela sente ao bater a cabeça, ao brigar com o irmão, ao se cortar, ou o que quer que seja, não é nada. A criança se acostumará que dor é algo normal e a mãe/pai não dá muita importância, por isso ela provavelmente se fechará, caso seja perturbada.
Melhor é dizer para a criança, que você entende a dor, mas que você fará o possível para ajudá-la, seja com um sopro, um beijo, um band-aid bonito, uma bolinha homeopática de arnica, um ursinho de jujuba em cima do machucado ou o que sua criatividade mandar. Caso ela um dia necessite de ajuda por ser molestada, ela confiará que você (pai/mãe/dinda/irma/vó/vô) está aqui para melhorar a vida dela.
Ao sair do consultório nós fomos na Ikea, com direito a sorvete, torta e velas cor-de-rosa para o quarto dela.
3 comentários:
Ma, nisso somos almas gemeas!!
Beijinho da Dinda bem em cima do dodói!!
Esse post vai pro meu MANUAL DE MÃE.
E olhe que vc está em quase todos os capítulos...
Tem um que amo: CONVERSE COM BEBÊ!
Sobre uma situação que vc passou com uma amiga que tinha gemeos e eles odiavam trocar fraldas, dai vc foi trocar, mas foi explicando que era necessário, que ia acabar... AMO#
Oi Márcia,
Já leio seu site há algum tempo mas não lembro se já comentei antes...tb sou baiana, mãe e moro no Canadá. Concordo com você nesse ponto da dor. Sempre faço o possível para não soltar o famoso "não foi nada". Um abraço
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