Umas 19:30 ele liga e diz com uma voz bastante sombria:
Vai demorar ainda até eu chegar.
Ela já preocupada com uma possível catástrofe pergunta:
O que aconteceu?
Ele com voz de menino que acaba de quebrar o pote de doces da vovó responde:
Eu quebrei a válvula de retenção de água quente da pia e tem água no banheiro inteiro.
Ela se concentra para não rir e também não brigar. Com uma voz suave e doce pergunta: Molhou o parquete? (por favor, diga que não, eu não quero me irritar - pensa ela)
Não minha linda. Eu nunca desci dois lances de escada tão rápido. Molhou o banheiro, molhou o pia-armário que eu estava instalando e me molhou todo.
Ela pensa naquelas cenas de comédias holiudianas. Vê a cara dele perto do cano e a água jorrando com força. A careta dele, a raiva, o desespero para não causar mais estragos e o riso rindo de se próprio depois. E diz:
Não tem problema, só me avise antes de vir para casa.
O que seria de nós se não nos acontecessem essas pequenas catástrofes na vida cotidiana? Não teríamos o que contar, nem poderíamos rir de nós mesmos.
Ele chegou em casa quase 9 horas da noite, sujo, cansado e faminto. Eu tinha preparado umas lentilhas com tomate e curry, alho-porro refogado com alho e um bifinho de vitela com molho de limão e mel. Depois ele tomou um cafezinho e comeu um pedaço de chocolate com raspas de laranja, que ele tinha comprado na lojinha da Ikea - onde ele também comprou a pia-armário. É uma pia já acoplada a um armário, branca, simples e baratinha. A pia antiga estava toda rachada e era enorme. O banheiro é pequeno e não tem lugar para colocar outros armários. Nós ainda vamos economizar para reformar o banheiro. Pois reformar banheiro nesta terra é caso para quem ganhou na Loto.
O encanador vai hoje na casa nova consertar o estrago e terminar de instalar a pia.
Este é Peter, antes da tragédia:
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