Eu cresci numa época em que policial era sinônimo de repressão. Meu pai foi caçado durante a ditadura no Brasil, e isso deixou incutido em nós um certo receio em relação a policiais em geral.
Ao chegar à Alemanha eu me senti como Caetano em Londres: a group aproach the policeman, he seems so pleased to please them... A figura do policial foi mudando muito em minha cabecinha tupiniquim e fiz até amizade com um policial cívil. Claro que existem policiais sádicos e ranzinzas, como em qualquer outro lugar do mundo. Mas o normal aqui é o policial ser mais simpático, mesmo em situações de estresse como carnaval e jogos de futebol. Durante a copa eu tirei várias fotos com policiais super-hiper-galaticamente simpáticos que estavam trabalhando durante os jogos. E eles faziam questão de tirar fotos com fãs brasileiras!
No fórum do Viver a Priscila colocou uma foto de policiais fazendo ronda sob patins (roller blades). Daí algumas meninas sapecas se entusiasmaram querendo já o telefone deles para entrevistá-los, etc e tal. A Dorothy lembrou bem dos policiais (tipo polícia de choque) fortes e bonitos que ficam no estádio durante os jogos do meu querido BVB. E eu lembrei dos policiais fazendo ronda de bicicleta em Düsseldorf; de short de lycra e pernas para sonhar. Bicicleta deixa o bumbum bem bonito, viu! Ave, que meu marido nem passe perto deste posting.
E pensando em polícia, lembrei de um fato que aconteceu em 86. Eu tinha participado de uma demonstração pela "Diretas já" e estava na casa de minha irmã Magda em Salvador, quando a campanhinha tocou. Ela estava deitada, eu fui até a porta, olhei pelo olho mágico e fiquei já apreensiva. Saí de fininho e cochixei no seu pé de ouvido:
Guida, tem um policial do Pelotão Águia na sua porta!
(faziam parte do pelotão águia os famosos "polícias de choque" de Salvador, os mais temidos da cidade, hoje em dia isso mudou, mas a repressão continua!).
Ela levantou e com um sorriso nos lábios se jogou nos braços de um lindo e alto homem, do qual eu estava com medo. Depois ela virou e disse: Marcia, este aqui é nosso primo, Fulano de tal!
E ele ainda me disse: eu já te conheço.
Depois disto, nunca mais eu demonstrei contra ou a favor de nada no Brasil! Morria de medo de causar um conflito na família!
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