29 junho 2008

Há algum tempo que venho treinando ficar calada no momento certo. Eu sempre tenho palpite a dar e isso nem sempre é bem visto.

É difícil você ouvir algo e guardar sua opinião, evitando assim conversas desnecessárias ou mesmo brigas.

Ontem no aniversário de um amigo nosso, uma amiga grávida de 7 meses disse que não irá amamentar mais de 6 meses nem que lhe paguem, pois ela não suporta dar de mamar e que seu corpo não lhe pertence, nem durante a gravidez e nem na amamentação.

Escutei, pensei um monte de palavras que não posso publicar e não disse nada. Sorri e fiz o melhor, calei, pois não é de minha conta. Mas é um absurdo e me decepcionei, pois eu achava que ela fosse uma pessoa inteligente e sensata. Mas ela pelo jeito não é.

Hoje foi meu marido que me deu essa oportunidade duas vezes. Primeiro tivemos uma briga pois ele queria sair para passear com Clara com a capota do carro aberta. Mas a gente só brigou um pouquinho. Já em casa eu pedi que ele podasse umas rosas, que eu não alcançava e fui para a cozinha fazer o jantar de Clara.

Da beira do fogão eu o vi puxando uma espreguiçadeira e pensei comigo mesma, se ele iria usá-la como "escada". Para evitar ouvir que eu sempre me intrometo e o trato como criança, fiquei calada. Continuei cozendo. Só ouvi o baque. Ainda bem que ele não se machucou de verdade. Está com as costas esfoladas e deve estar tudo roxo.

Ele não deu um piu e eu consegui não falar nada além de: quer alguma ajuda meu amor? quer gelo ou algo para passar na pele?

Mentalmente: viu seu besta, preguiça demais dá nisso, agora chore, será que ele se machucou muito, será que teremos que ir para o hospital?

Mas não disse nadica, nadica, nadica.

É assim que se aprende. Dei parabéns mentais a mim mesma. Um dia eu nem precisarei pensar que preciso ficar calada. Eu chego lá.

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