Conversando com a amiga de uma amiga ouvi-a falando que o filho passou a comer quando mudou de escola. Antes ele não comia. Eu respondi, que o menino a manipulava e que ela se deixava manipular.
Eu já pedi perdão à minha mãe, pelo que fiz com ela quando criança. Eu não comia. E a deixava desesperada. O negócio era sério. Imaginem eu magra, quase seca, sem comer e ainda enjoada, com dengos e gostos mil, manipulação total. Tem tempero, não como. Tem casca de tomate, não como. Tá ardendo, não como. Meu irmão fez cara feia, não como. Aff, nem sei como minha mãe conseguiu me aguentar e ainda me ama.
Só consegui comer cebola crua aos 18 anos - olha a vergonha baixando e me deixando enrubescida. Ainda existem coisas que eu não gosto. Em caso de necessidade - diga-se visitando alguém - ou fome, desce até café com açúcar e teiú assado, coisa que eu abomino.
Comer é a algo muito simples. Você tem fome, você come. Se não tem fome, não coma.
É legal pensar assim.
Pena que nós, mães, desesperadas por ver o filho ou a filha não comer, entramos num círculo vicioso, pois pensamos que a criança morrerá de inanição se passar um ou dois ou mesmo três dias sem comer. A mãe pira, para de pensar, se desespera e não existe lógica, é um sentimento atávico, das cavernas mesmo: se não comer, não terá energia para correr dos tigres dente-de-sabre.
Pára que eu quero descer! Respire fundo e relaxe. Corte umas cenourinhas, sente-se e deixe seu filho/a em paz.
Minha filha come de quase tudo. Eu respeito os gostos e desgostos dela. Azeitonas, nunca. Pepino, sempre. E por aí vai, entremeando feijão com farofa e balinhas de goma, beliscando tangerinas, kiwis, limões na água, cenouras cruas, tomates aqui e ali, pimentão de todas as cores, chorando para comer mais manga e pinha no Brasil, um pedacinho de chocolate para se consolar (Lindt, já que a fábrica fica quase ao lado de casa), uma paçoquinha trazida pela prima baiana, e se por acaso ela não sentir fome, ela não come!
E nem adianta insistir. Se o sistema estiver cheio, nada entra - rsrsrs. Se um vírus estiver atacando-a, a boca fecha, daí é só água e chá para hidratar. Ela mesma pede. Depois de passar 3 dias comendo muito biscoito, docinhos, etc. com as primas que estavam de férias por aqui, ela pediu pepino e tomates para o jantar.
É algo dela, com certeza. Mas acho que tive minha parte, por não insistir e nem desistir. Recebi ajuda num momento de desespero total, quando ela passou 3 dias sem querer comer nada. Na época Clara mamava e só queria peito. Em minha cabeça o alarme gritava: nesta idade peito só não supre tudo, ela precisa comer. Corri ao pediatra, que a examinou por completo. Até sangue ele tirou - tadinha. Depois de todos os exames, ele mandou eu sentar, virou o monitor para mim e disse: Mãe, está vendo esta curva? é a de crescimento. Sua filha está acima da média. Essa outra curva aqui é a curva de peso. Sua filha está um pouco abaixo da média. Mãe (ele me chamou de mãe e não de Sra. H.!), uma criança com este tamanho e este peso ainda não morreu de fome na Europa do Norte.
Seu filho/a não está com fome. OK, ótimo. Não passe a dar biscoitos, pães, docinhos, só para ele ter energia. Água para hidratar. Se for virose, quando passar o apetite volta. Se for birra, o estômago é mais forte. Ele vai comer. O importante é ter variedades. Come tomate, mas não gosta de pimentão verde, relaxe querida, dê outro tipo de verdura verde.
Mas se o pai ou eu estivermos comendo algo, sem oferecê-la, aí de nós. Ela pede e se gostar, esqueça, ela vai querer comer.
Dê exemplo, varie e não insista. E acima de tudo, relaxe!
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