Você é daqueles que precisam ver para crer? Eu às vezes sim, outras nem tanto.
Quando comecei a ler sobre introdução de sólidos, eu falei com várias pessoas, entrei em sites diversos na internet e tentei conciliar tudo o que li com a minha realidade, já que vivo dividida entre duas culturas. Aqui na Alemanha a batata é alimento primordial e deve fazer parte da alimentacao infantil, no Brasil esse papel é exercido pelo feijão.
As informaçoes mais importantes e válidas para mim vieram do Ministério da Saúde e da WHO (OMS), onde encontrei apostilas sobre alimentos complementares, comportamento, problemas e cardápios.
Mas havia algo em comum em tudo o que li: é preciso expor a criança várias vezes ao mesmo alimento. Muitas vezes a criança irá recusar um alimento por desconhecer o gosto. Outras por dificuldade de mastigação e ingestão. Mas excluir completamente um alimento do cardápio alimentar pode gerar desnutrição.
Uma amiga minha passou um ano dando batata frita e macarrão com ketchup para o filho, pois ele recusava tudo que ela dava. Mas ela nunca tentou dar algo duas vezes. O menino foi prematuro e eu creio que com 6 meses completos ele ainda não tinha desenvolvimento suficiente para mastigar, formar um bolo e engolir. Bem ele tinha quase 18 meses quando eu fiquei com ele sozinha na minha casa e na hora do almoço eu dei o que ela tinha trazido para ele: panqueca de batata com purê de maçã. Servi-me de quiche de espinafre com salada. Ele pediu e eu dei. O menino comeu tudo. Dei banana, ele comeu. Dei maçã, ele comeu. Mas até hoje ele a manipula com comida!
Eu sempre ofereci tudo para a Clara. Muitas vezes ela mastigava algo e cuspia. Outras ela fechava a boca e só um pé de cabra para abrir. Mas eu dizia a mim mesma: um dia ela come. Eu também não comia nada e hoje como de quase tudo.
Eu ocultava coisas que ela recusava em outros alimentos. Fazia purê de lentilhas, peneirava para tirar a pele e misturava com cenoura e abobrinha. Ela comia sem dizer nada. Nestas horas toda a criatividade entrava em cena e tornava meu dia-a-dia mais fácil.
Um dos exemplos de exposição e aceitação de alimentos eu vi em Clara com vagens.
Sempre ofereci vagens para Clara. Antes de falar, ela simplesmente recusava. Quando aprendeu a falar ela olhava, dizia feijãozinho mamãe, colocava na boca e cuspia. Acho que ela não conseguia mastigar e engolir a vagem. Ontem eu estava fazendo uma sopa e ela brincava na cozinha. Ao me ver cortando as vagens ela pediu uma. Eu sabia que ela não estava com fome, pois tinha comido uma maçã e dois cookies ao sair da piscina e logo depois almoçou arroz com omelete de legumes e queijo.
Dei, pensando em recolher milhares de pedacinhos de vagem espalhados pela casa. E me surpreendi quando pouco depois ouvi: A Tala té mais feijãozinho mamãe.
Ela comeu umas quatro vagens, cozidas, puras, sem tempero, sem azeite, sem nada.
Como disse Angie: Ela deve ter desenvolvido papilas degustativas para vagem.
E agora eu preciso dizer algo à pessoa mais importante em minha vida:
Mãe, desculpe-me por ter demorado tanto a desenvolver papilas degustativas para todo tipo de comida. Eu sei que você sofreu comigo. Sei também que você foi paciente demais. Eu te amo.





