Eu estava pensando em fazer um lindo posting com fotos antigas e novas, falando sobre crianças em homenagem ao dia de hoje. Mas ao ler meus emails eu decidi homenagear meu querido sobrinho, Ricardo, que passou um momento de angústia sem par.

Ricardo, Beatriz e eu, em Salvador, 2001.

Ricardo e Viviane, filha do meu cunhado
Na verdade, eu estou aqui chorando de raiva. Sinto raiva de alguém que não conheço, mas sei de sua incompetência. Essa pessoa que não conheço, está aí à solta, com o poder de policial, armado e imbecil.
Eu fiquei desesperada com o que minha querida irmã escreveu:
"Inobstante toda a alegria advinda de Clara 'a Bela', a belíssima, a quem faço carinho e paparico de longe, e que Deus há de me permitir tê-la em meus braços em breve, estou com lágrima nos olhos, e elas teimam em cair. Voce me conhece bem, no meu âmago e no meu exterior, sabe de todas as dificuldades que passei na minha vida e conhece como consegui criar a minha família, norteada pelo bem, pelo bom e pelo caminho certo, me foi permitido criar uma família digna, tenho muito orgulho dos filhos que me foram confiados e os amo acima de minha própria vida.Sábado passado, Ricardo foi ao Shopping Salvador acompanhado por um amigo chamado Felipe a quem carinhosamente chamamos de Ninho, Sérgio, o pai de Ninho foi levá-los e marcou o local onde os pegaria após a seção de cinema. Terminado o filme, eles ligaram para Sérgio e se dirigiram ao estacionamento coberto, no mesmo local onde ele os tinha deixado, como Sérgio pegou um engarrafamento, demorou 10 minutos além do combinado, tempo que os meninos ficaram esperando no mesmo lugar. Um policial federal que se dirigia ao cinema, os viu no local enquanto ia estacionar seu carro e ao retornar eles estavam no mesmo local, sacando da arma, mandou que os dois se deitassem no chão, sob a acusação de que os meninos estavam tentando arrombar um carro estacionado no local. Colocou os dois sob a mira do revólver e nesse momento chegaram várias pessoas dentre elas o pai de Ninho, que desesperado quando viu Ricardo e Felipe sob a mira do revólver, largou o carro aberto e perguntando o que estava ocorrendo também foi submetido a sanha do louco do agente federal, que em alto e bom som bradou que os meninos eram vagabundos e que estariam roubando um carro. O pai de Felipe, explicou que não era isso, ele estava ali para pegá-los, enfim, depois de chamarem a segurança do shopping eles foram levados para a delegacia do menor infrator. Eu estava em um casamento, sai desesperada, encontrei com os pai de Felipe lá e ficamos até as 2 horas da manhã na delegacia. Não tenho como lhe transmitir o que sinto nesse momento, mas meu filho é de uma bondade extrema, e me disse que não quer que eu represente contra o agente federal porque ele está no estágio probatório e tem um filho de um mês, e já o perdoou e me incitou a fazer o mesmo, porque foi isso que eu ensinei. Será que eu tenho que praticar realmente o que ensino, quando meu coração está triste e minha alma fraturada? A única coisa que faço é chorar, pela injustiça.Ainda não tenho condições de decidir o que farei, pois a emoção mais violenta é a raiva e assim eu não posso pensar, é muito difícil ver meu filho andando pela casa á noite, sem dormir e sem entender o alcance de uma acusação sem qualquer indício de verdade. Já contactei um advogado especializado em dano moral, e vou levar nesse aspecto a causa até o fim. Te amo, e sei o quanto voce ama os meus filhos, aliás o quanto nos amamos, nessa família que é coesa, sincera e que me tem eu seu seio sem nenhuma mácula, não será a sanha imbecil de um policial sem preparo que nos destruirá, ao contrário, nos unirá mais e mais. sua irmã MagdaImaginei esse homem louco atirando em meu sobrinho, assim sem mais nem menos e entristeci. Ricardo é um lindo, moreno, alto e forte. Além da inexperiência, tenho certeza de que existe uma ponta de racismo nisso. Eu fiquei muito triste. Ele sentirá medo agora, pois é uma pessoa muito sensível. No sábado, eu estava falando para Peter sobre Ricardo, a quem eu amo muito e que aproveitou a carona da tristeza causada por Frederico para chorar a morte do pai dele. Nós ficávamos sentados, conversando, chorando e confortando um ao outro ou somente abraçados, sem falar nada.
Estou aqui chorando de raiva de uma pessoa que eu não conheço, e que sua imbecilidade poderia ter causado uma tragédia para duas famílias. Meu sobrinho e seu amigo, ambos traumatizados por esse idiota. E depois que tudo se resolve, tenta-se por pano quente. Imaginei a cena: pô, ele está estagiando, é inexperiente, tem um filho de um mês... PORRA, isso não justifica sua incompetência e nem o trauma que meu sobrinho passou! Perdoar sim, mas deixar passar em branco, nunca! Errou, assuma seus erros, conserte o que fez de errado e aprenda pro futuro. Se deixar passar, esse cara vai se transformar num monstro de policial, ao invés de um protetor da ordem.