Lembram do "O caso da borboleta Atíria"? Eu li e re-li, adorei e sempre lembrarei. Pois é, esta é a tal Vanessa Atalanta, Admiralsfalter em alemão, que estava sorvendo o néctar das flores de lilás no meu jardim.
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Deixa eu contar aqui para vocês.
Com 1 mês, Clara dormia das 23 h às 4:30 ou 5 da matina, o que é considerado dormir a noite inteira pelos pediatras.
Com 6 meses, Clara dormia no colo ou em cima da minha barriga. Ela tinha o sono de passarinho, qualquer barulho ela acordava. Colocá-la na cama era um ato de equilibrismo digno de artista do circo de Soleil. Relaxei quando Augusto, o vizinho de minha irmã Magda, me disse que o filho dele era igualzinho. Que ele o colocava no berço e ia tirando os braços em câmara lenta, saia de fininho e nem fechava a porta, pois o barulho da maçaneta o acordava.
Com 8 meses ela passou pela fase da separação. Ela acordava pelo menos a cada duas horas, só dormia no peito. E às vezes era no peito, em cima de minha barriga, qualquer mudança de posição a acordava.
Com 10 meses ela teve a fase de terror noturno. Ia dormir às 20:30 para acordar entre 22 e 23 h, gritando, sonhando e dando um trabalho danado para acalmá-la. Voltava a dormir e acordava umas 3 vezes à noite, gritando, como se estivesse com dor, sentava na cama, chorava e às vezes voltava a dormir sem auxílio algum.
Agora ela continua dando trabalho para dormir, mas já dorme sozinha, sem peito, sem minha barriga. Ela luta contra o sono, fica coçando a orelha esquerda, alisando seus cabelinhos, bota o bumbum para cima e uma hora o sono é mais forte e ela dorme, comigo ou o pai cantando, outras vezes só embalando.
Hoje à noite ela acordou às 23 h, chorando. Foi picada por uma murisoca (isso é o nome de mosquito na Bahia, viu!). Às 3:35 ela acordou de verdade. Mamou e ficou brincando, querendo um livro, querendo brincar e eu enrolando-a, sem acender a luz, falando baixinho, cantando, até que ela começou a se virar na cama, botou o bumbum para cima e pum, caiu no sono, para acordar às 9:00.
Somos seres humanos, não somos máquinas. Claro que nos habituamos (é o conceito do cão de Pawlowsky) a fazer determinadas coisas, inclusive a acordar uma determinada hora. Mas somos também suscetíveis a distúrbios no nosso comportamento. Uma lua cheia, uma preocupação, a unha encravada, a nota ruim na escola, tudo isso afeta o sono.
Porque pode afetar o nosso e nossos bebês tem de (vide o dicionário para saber a diferença entre ter que e ter de) dormir a noite inteira, sem acordar, sem sentir sede, sem ter incômodos?
No momento em que passarmos a olhar nossos filhos como seres humanos, merecedores de muito respeito e atenção, nossa vida tornar-se-á melhor.
Clara nunca chorou por birra ou manha. Mas já teve ataques de raiva. É normal, quase todos os bebês tem e é descrito como frustração devido à falta da habilidade de comunicação em bebês (toddler frustration). Vou escrever sobre isso depois!
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@Cissinha: ninguém mandou eu fazer isso com Clara. Mas eu ouvi duas pessoas, alemãs, com formação acadêmica conversando sobre isso, falando que tinham feito com seus filhos, etc e tal. e meu marido prestando muita atenção à conversa. Depois nós dois falamos que esse nunca seria o método a ser usado com Clara. E ontem uma amiga, mãe de uma de nove e um de 5, me disse que falou isso para a vizinha dela, que tem uma filha de 18 meses. Ela estudou pedagogia no Brasil. Eu quase que arranco a cabeça dela. Ela disse: é, meu marido e eu não nos preparamos para ser pais.
Inclusive tem uma anedota. O pai ganhou uma mini raquete de tênis e falou para a filha, que tinha 2 anos: Vamos brincar de jogar tênis. A menina não conversou, pegou o tênis dele e jogou. Pegou no rosto do pai, que sem pensar bateu nela! Minha amiga disse que na época brigou com ele, chorou, etc. E que se fosse hoje, ela nem sabe qual seria sua reação.
