13 junho 2008

A Bibi me perguntou como é que eu desinfeto os brinquedos de Clara. Ô pergunta difícil de responder, sô.

É que eu sou neurótica, sabe. Eu acredito que esses montes de vírus e bactérias resistentes são criados por nós, devido ao uso indevido de desinfetante. Creio também que os restos de hormônios que saem na urina feminina (digo feminina pois somos nós mulheres que tomamos a pílula, né!) estão causando mutações em peixes.

Logo que ela nasceu, Sônia estava aqui nos ajudando e ela lavava todos os brinquedos antes de Clara usar. Na verdade, ela lavava tudo: roupas, brinquedos, cobertores e qualquer outra coisa que Clara pudesse pegar. E quando não dava para lavar ela passava um pano normalmente com água morna e vinagre.

Após Clara completar 3 meses eu deixei de lavar e ferver quase tudo, exceto a água. Ela só toma água fervida e devidamente batida. Continuo fervendo também o copo, no qual ela bebe água. Claro que eu lavo bem minhas mãos antes de preparar algo para ela comer, mas não fico neurótica se ela pegar algo do chão e colocar na boca.

Chamo isso de vitamina S, faz bem pro sistema imunológico.


Ao voltar do hospital eu lavei os brinquedos que levamos para lá. Lavei na máquina de lavar mesmo.

Para limpar a casa eu uso vinagre ou essência de vinagre, que é um concentrado de vinagre, e água. Fiquei pensando que se eu limpasse algo com algum produto químico e ela lambesse a superfície, estaria ingerindo resquícios de química, por isso o vinagre. Além de mais barato, o cheiro sai logo e mata germes. Uso também panos de micro-fibra, que umedecidos com água limpam quase tudo.

Em casos de problemas de saúde, algo como uma diarréia ou infecção intestinal, eu uso cloro para limpar o banheiro. Cloro, uai! Foi uma engenheira ambiental que me indicou. Melhor usar uma única substância do que esses produtos com agentes tensoativos iônicos e não-iônicos - por acaso alguém sabe o que eles causam ao meio-ambiente?

Quando meu marido viaja pra Índia ele normalmente leva whisky no necessaire e usa para desinfetar a boca depois de escovar os dentes. Lá ele só bebe água mineral comprada em lugar confiável, não toma nada com gelo, come de tudo bem cozido e frutas que ele possa descascar. Ele nunca teve problemas de saúde ao voltar da Índia.

12 junho 2008

Casa arrumada, tudo limpo, flores no quarto, morangos orgânicos frescos na cestinha, chocolate em cima do travesseiro, toalhas passadas, cartão de boas-vindas, no pensamento as receitas pro dia seguinte e lá vem o grito de Lili - brasileira, estudante, babysitter, que veio ficar com Clara enquanto eu preparava tudo para receber Dani e Gabs:

Marcia, a Clara vomitou. Ela estava dormindo e vomitou!

Ô porcaria é você saber que vômito combinado com um baque na cabeça é sintoma de contusão cerebral. OK, nada de pânico, são 19:45. Liguei para a casa do pediatra e a mulher dele me informou que ele estava num congresso, os colegas (inclusive a pediatra de Clara) também. Liguei para o pediatra de plantão na cidade e ele me disse que eu poderia ir ao consultório dele, mas como ela vomitou o ideal seria deixá-la em observação.

Raios que o partam (lembrei de Tio Patinhas!). Observação aqui significa pelo menos passar uma noite no hospital. Contusão cerebral é no mínimo 24 horas de observação. Ha, ha, ha, diria Madame Mim, ledo engano, o protocolo aumentou para 48 horas de observação.

Passei dois dias com ela na clínica de emergência infantil. Duas noites mal dormidas e uma Clara que no primeiro dia estava meio apática, para acordar bem no segundo dia e passar o dia caminhando (segurando na minha mão, é claro!) pelo corredor do hospital, rindo para todos e brincando com todas as enfermeiras.

Lili ficou toda preocupada, pois Clara bateu a cabeça na mesa, enquanto as duas brincavam. Peter está viajando, meus sogros estão com a casa em reforma, além disso minha sogra estava cheia de exames médicos, contanto não poderiam vir nos ver. De qualquer modo, a clínica só permite 1 visitante por criança. Lili foi nos visitar ontem, esperou Clara ter alta, nos acompanhou até em casa e ficou com Clara enquanto eu colocava as roupas e brinquedos na máquina (desinfetei tudo!) e tomava um longo e demorado banho, se eu pudesse teria usado desinfetante em mim também.
Dei banho em Clara e Lili a colocou para dormir. Preparei um delicioso ravioli de ricota com salsa de tomates frescos e basílico. Jantamos, conversamos um pouco, ela arrumou minha cozinha e foi para casa.

Clara acordou às 22 h para mamar e dormiu até as 8 da manhã, digo, dormimos.
primeira noite

segundo dia

Foi um susto, sei que provavelmente não será o último. O nosso encontro com os belgo-brasileiros foi remarcado. Agora é só alegria.

09 junho 2008


Eu ainda não consegui filmar Clara andando para colocar aqui. Minto, já filmei ela andando, mas o filme ficou com 45 MB e é grande demais para postar. Preciso filmar com o celular. Tentarei fazer isto em breve.



Comprei esta camiseta bem perua, digo com letras douradas, para ela entrar no clima de campeonato europeu. Está escrito: Flankengöttin ou seja "deusa dos lançamentos"

Bem, melhorei da alergia. Eu uso três truques:
- lavar o nariz com soro, várias vezes ao dia
- colocar vaselina na entrada das narinas, formando uma barreira natural
- pensamento positivo: tudo passa, e eu estou bem, só espirrando, tem gente pior do que eu no mundo!



Estou arrumando a casa para receber ilustre visita de belgas-brasileiros, muito famosos.
---
Para quem tem jardim, plantas e afins:

Caso você depare com mini-lagartos passeando por suas plantas - vide fotos abaixo - deixe-os em paz, são larvas de joaninha, que devoram até 500 pulgões por dia.



Depois eles se enclausulam e a pupa é assim:



Este é um dos melhores métodos para ter rosas bonitas e livres de pulgões sem uso de química.

05 junho 2008

Esclarecendo:

Eu sou brasileira, baiana, uma típica mistura tipo cachorro-vira-lata, que ninguém sabe dizer o que vem de onde. Meu pai vivia brincando me falando que tinha me achado entre as folhas de repolho de uma quitanda japonesa. Eu adoro o Japão, o povo, a cultura, o chá, a comida, mas infelizmente era só brincadeira do meu pai, não sou descendente de japoneses. Meus conhecimentos de japonês se resumem a bom-dia, como vai, por favor, obrigada, macarrão, misô, saúde e tchau.

@Nunci: não, as coisas que estão em cima da folha da planta-monstro são pétalas de flores caídas de uma castanheira. Se cada pedacinho formasse uma nova planta, nós estarímos extintos ou imunes - a natureza sabe o que faz.

---
Queria fazer um posting para falar sobre "zweikanalton". Queria fazer um meme que me mandaram. Queria falar sobre um monte de coisa.

Mas estou cansada. Preciso dormir mais, preciso dormir melhor. A qualidade do meu sono está ruim. Estou reagindo às túlias, que estão florindo! Olhos inchados, nariz escorrendo e espirros, assim não é possível dormir bem. Clara está resfriada e tossindo.

A dermatologista me disse que eu iria ter problemas este ano - benditos hormônios! Mas tudo é passageiro, exceto o cobrador e o motorista.

Amanhã eu volto mais forte e menos "alergenizada" - será que esta palavra existe?

02 junho 2008

São quarenta anos. Nada mudou, tudo mudou. Só mais um dia para marcar a minha vinda a este mundo. Um dia especial para minha mãe, que me recebeu neste dia. (Nem conto pra vocês, mas Hildinha foi comemorar meu aniversário vendo Fábio Jr! - será que o show foi bom?)

Ganhei vários presentes, infelizmente o melhor deles eu não vou poder mostrar para todos aqui:

Clara deu 3 passos, sozinha!

Eu quase morri de tanto chorar. Deusdocéu, minha filha, tão pequenininha, está andando!

Ainda não teve festa. Nossa vida está muito agitada, Peter viajando muito e não tive tempo de arrumar nada. Mas ainda farei minha festa. Talvez de 41 anos, para ser diferente. Eu gosto de ser diferente rsrsrs. Fomos para a casa dos meus sogros e saímos para jantar, voltamos ontem à tardinha e só agora estou aqui.

Obrigada a todos, é bom receber carinho, mesmo que virtual.

30 maio 2008



Estou indo dormir. Minha última noite com um 3 na frente.

---
Ah, isso é uma vaquinha, claro que poderia ter proveniência francesa, mas foi minha querida e amada sogra que deu pra neta mais nova.

29 maio 2008

Há algumas semanas eu estava de saída com Clara. Tinha pensado em colocá-la no carrinho e ir comprar aspargos numa barraquinha perto daqui de casa.

Ao fechar a porta, lembrei que o carrinho dela estava na mala do carro. A cadeirinha do carro estava no carro de meu marido. A preguiça ou comodismo me levaram a colocá-la dentro da mala, aberta é claro, enquanto eu armava o carrinho. Ela até então não ficava em pé, o que me dava liberdade suficiente de abrir a parte inferior e montar a parte superior! O carrinho é ótimo, mas é um trambolho e, sem estar desmontado, não cabe na mala do meu carro.

Bem, quando terminei de montar o carrinho, percebi que alguém me olhava. Do outro lado da rua uma mãe com seu respectivo filho, que estava aconchegado num carrinho igual ao de Clara, ria. Falei com ela, ri, me apresentei, apresentei Clara e por isso ficou.

Umas semanas depois ela passou na porta de minha casa e eu estava do lado de fora. Ficamos conversando, trocamos telefone e marcamos um café. Hoje ela passou aqui em casa com o filho (7 meses e meio). Conversa vai, conversa vem, ela me perguntou:

- Onde vocês moravam antes?
"Perto do supermercado Hit, conhece?"
- Claro, eu morava naquele bairro antes de casar. Em que lugar exatamente.
"Na rua anterior."
- Ah, perto do campo de futebol? "Sim, exatamente em frente."
- Eu tenho uma amiga, que morou naquela casa branca. "Nós também morávamos naquela casa branca."
- Ela comprou uma casa em A. e teve mais um filho.
"Ah, a Anna. Nós alugamos o apartamento dela."

Conversa vai, conversa vem, eu comento em português com Clara:
"Clara, você hoje já brincou com diversas crianças, Till, Lynn."
Ao que ela me diz: Meu filho tem uma amiguinha chamada Lynn.
Eu perguntei: Mas não é filha de F., é?
Ela: É, da F.L. sim.
Eu: É minha colega de trabalho.

Quantas voltas o mundo dá?

28 maio 2008

No blog "Faça a sua parte" está havendo um debate sobre meio-ambiente, com post interessantíssimos, passem lá para ver.

Eu estava passeando com Clara pelo meu bairro, quando vi essa planta aqui:



De longe eu pensei, nossa que folhas enormes, que planta linda. E logo depois ouvi todos os alarmes soando no meu cérebro: Sai de perto, Marcia! Isso é um Riesenbärenklau, Heracleum mantegazzianum, giant hogweg, branca-ursina gigante, planta invasora, originária da Rússia, altamente tóxica! O contato com qualquer parte desta planta e depois exposição ao sol causa queimaduras terríveis. Em dias quentes basta você estar perto da planta para ter problemas respiratórios. Pessoas sensíveis reagem sem calor e sem luz solar!

Mandei um email ontem para a Secretaria de Meio-Ambiente da cidade, com a foto anexada, informando onde vi tal planta. Hoje pela manhã recebi uma resposta informando que uma equipe irá ao local retirar a planta e queimá-la. Haverá um monitoramento do local, pois se não a tirarem direito, ela brotará outra vez.

Flora invasora é um problema sério!
---
Ontem me aconteceu uma coisa inédita.

Quando estive em Salvador com Clara, as pessoas olhavam para mim, olhavam para Clara e tornavam a olhar para mim como se estivessem se perguntando: ela é a mãe ou a babá.

Eu estava parada esperando o sinal abrir, Clara bem acomodada, cochilando no carrinho, quando um homem parou ao meu lado e falou:

Como foi que a Senhora conseguiu este bebê?

Fiquei surpresa e falei: Desculpe, não lhe ouvi. Ao que ele retrucou:
A Senhora é morena, eu sou louro, minha mulher é loura e meus filhos são todos morenos, como é que a Senhora conseguiu fazer este bebê louro assim?

Eu quase morri de rir. O sinal abriu e ele continuou falando: Minha mulher ficaria louca por uma menina de cachinhos louros. Ela é linda, que Deus a abençoe, boa sorte.

Ela é loura, eu sou morena, mas a gente se entende!
---
Faltou colocar maçã na receita da salada!!!!!!!!!! Rabanete, mini nabo, maçã, eu usei Gala!, semente de papoula. Bom apetite!

26 maio 2008

A vida está um turbilhão. Clara está num famoso pico de desenvolvimento. Ela não quer ficar parada, tenta andar, caí o tempo todo e por isso chora, quando chora quer colo, quando está no colo puxa minha blusa e quer peito. Mas é assim a vida, linda, maravilhosa, fatigante e recompensante. Se não fosse assim, eu não teria tanta alegria.

Finalmente o primeiro dente de Clara apontou no horizonte gengival inferior direito! Ela aprendeu a dizer não. Diz Nein e não e balança a cabeça. Eu filmei com o celular, vou tentar postar o vídeo mais tarde.


Desculpem a falta de emails, de fotos, de repostas aos comentários.
---
@Claudia: gorduras estão normais. Repetirei o exame daqui a 1 mês, mas a médica acha que foi erro do laboratório.

@Moradora da França, que desejam doar medula: Procure o France Adot mais próximo de você.
---
Pérola ouvida na loja de sapatos (não achei um que prestasse, mas fui numa outra loja e comprei um par de tênis, verde-escuro, lindo!) - A avó falando para o filho: Ela (a netinha de 1 ano) tem que parar de chorar e ficar aqui no meu colo, enquanto você olha os sapatos e ponto final!

Eu olhei para o pai e ele me olhou com um olhar de quem queria matar a mãe, deu um sorriso e disse: Ela não precisa chorar à toa. Venha meu bem, vamos olhar juntos.

E a velha, até enxuta, ficou com cara de tacho.
---
Conversa com o marido, que chegou em casa depois de pedalar 23 km, num percurso difícil:
Amor, quer salada?

Ele me olha como se eu lhe tivesse torturando e pergunta: Com que? Ovos, atum?

Eu penso na fome dele, mas tenho certeza que o atum não combinará com o que tenho em mente, e digo: Posso colocar atum num prato à parte, ok?

E eis o que preparei:

Rabanetes e mini-nabos orgânicos e super-picantes, ovos orgânicos postos hoje por galinhas felizes, sementes de papoula, queijo-fresco, iogurte natural, óleo de canola, azeite de oliva, um tiquinho de mostarda de Dijon (deliciosa viu Cissa!), flor de sal, pimenta-do-reino moída na hora e folhas de alface. Ficou parecendo uma maionese! O óleo de canola eu usei pouquinho, só pelos ômegas da vida.

Ele olhou, comeu, nem pensou no atum e disse: é, realmente, o atum estragaria o sabor.

Sobremesa: abacaxi e morangos frescos. E eu, escondida, comi ainda um pedacinho de chocolate.

22 maio 2008


Existem coisas muito mais importantes no mundo do que explicar para os outros algo sobre café.

Sabe o que é leucemia? Sabe que mata? Sabe que você pode salvar a vida de uma pessoa com leucemia? Para tanto cadastre-se como doador de médula óssea. A medula óssea é o tecido que produz as células do sangue.

É, existe uma pequena probabilidade de que você seja um possível doador de médula óssea. No Brasil é 1 para 1 milhão. Para fazer o que se chama de tipagem HLA (Antígenos de Histocompatibilidade) só é necessário você fazer um exame de sangue, com 10ml de seu sangue você já está ajudando alguém.

O doador fica cadastrado no REDOME - Registro Brasileiro de Doadores Voluntários de Medula Óssea - e poderá ser chamado para a doação, quando seu Sistema HLA for compatível com o sistema HLA do paciente que necessita do transplante.

Existem duas formas de doar medula: A punção direta da medula é realizada com agulha, na região da bacia e retira-se uma quantidade de "tutano" (medula) equivalente à uma bolsa de sangue, este procedimento dura em média 40 minutos. É feito sob anestesia, retira-se cerca de 10% da medula e dentro de 2 semanas você já está com 100% de sua medula, sadia, fresquinha, pronta para atacar os germes invasores.

Mais moderno e mais usado atualmente é coleta pela veia, que é realizada pela máquina de aferese. O doador recebe um medicamento por 5 dias que estimula a proliferação das células mãe, que migram da medula para as veias e são filtradas. Este processo dura em média 4 horas, sem anestesia, sem problemas para você.

É uma vergonha num país como no Brasil só existirem 300.000 pessoas cadastradas como doadores. Mostre sua coragem e sua boa vontade, cadastre-se.

Procure um hemocentro na sua cidade. Informe-se, informe seus amigos e parentes (todos entre 18 e 55 anos podem doar). Mais infos aqui. Se você mora na Alemanha, procure seu médico. Aqui você terá que pagar pela tipagem (50 Euros), pois o seguro saúde não cobre as despesas de laboratório.

Se quiserem saber um pouco sobre a vida com leucemia, visitem o blog do Felipe.

Eu sou cadastrada desde 1988, mas infelizmente ninguém compatível precisou de minha ajuda. Sou também doadora de orgãos. E pretendo daqui a 2 meses doar sangue.

Quando Fê morreu, eu tomei umas 10 conservas de sangue. Agradeço todos os dias aos doadores, que me salvaram.

Vá lá agora, tentar ajudar alguém. Um dia pode ser alguém próximo seu, que será ajudado.

21 maio 2008

Eu, durante minha juventude, nunca chamei meu pai ou minha mãe de reacionários. Agora eu descobri que eu sou reacionária. Gente do céu, eu sou conservadora, ortodoxa, eu gosto de manter certas coisas do jeitinho de antigamente. Sou extremamente tradicionalista, principalmente com nomes e receitas.

Aos quinze anos eu ganhei um frasco de Rive Gauche, um perfume de Yves Saint Laurent. Na época eu nem tinha idéia de que o perfume era francês e paguei um mico ao contar o fato para minha querida irmã. Pior do que este só nosso amigo André, que nos contou estar lendo um romance muito lindo de Goéti!

Eu não gosto de ler e nem de ouvir palavras escritas ou faladas erradas quando oriundas de outros idiomas. Ouvir um alemão falar Rio de Janeiro é uma tortura! Ser convidada para comer uma feijoada na Suécia e ser servida de feijão com costela de porco defumada e peixe - cozidos juntos! - foi um horror!

Champagne pra mim é vinho francês, produzido na região de Champagne e todos os outros vinhos borbulhantes, frizantes são espumantes. Mas só quem provar uma cristal rosé brut vai saber a diferença entre uma boa champagne e aquele espumante colorido artificialmente vendido por aí.

Me acho toda, sim! Eu disse a mim mesma que só usaria um colar de pérolas falsas quando eu tivesse um de pérolas verdadeiras. Trabalhei, juntei dinheiro e comprei um! Hoje posso me dar o luxo de usar pérolas falsas, gigantes, a la Grace Kelly. Se for para me embriagar, que seja com champagne. Se for para comer besteiras, que seja um chocolate Godiva. Sou toda sim! Pois quando somos iniciados em coisas boas, fica muito mais difícil continuar no "feijão de gorgulho com farinha embolorada" de todos os dias.

Por que todo esse desabafo? Porque visitando um site, que eu visito sempre, li que alguém combinou café solúvel, leite em pó, achocolatado e bicarbonato de sódio e deu a isso o nome de cappuccino. Ao comentar que aquilo poderia ser tudo, menos cappuccino recebi várias alfinetadas!

Pois é, cappuccino sempre foi e será uma bebida italiana, que consiste em um terço de café expresso, um terço de leite vaporizado e um terço de espuma de leite vaporizado.

Acho que podemos inovar, mas se algo já é quase perfeito posso modificá-lo, e se tenho criatividade para tanto, terei também para um nome.

Assinado: Marcia, a que se achou há muito tempo e que continua toda!

Ah, isso é um caffellàtte!

20 maio 2008



Eu moro num bairro muito tranqüilo. Por aqui temos quase tudo e sempre que possível vou a pé para quase todos os lugares.

Ontem nós fomos ao oftalmologista. Coloquei Clara no carrinho e demos um passeio até o médico, pois a volta seria num horário de soneca dela. É fomos mesmo, no plural, pois nós duas fizemos exames. O médico foi muito legal, atencioso e engraçado, ele brincou muito com Clara enquanto a examinava. Eu fiquei me perguntando como seria, mas foi tudo muito simples.

Ele é cheio de truques, já que ela não iria conseguir dizer para ele se estava vendo os números e letras. Primeiro ele deu a ela uma placa, um pouco maior que um cartão postal, com um holograma. Ela tentou pegar as coisas que via: estrela, bola, casinha. Depois ele mostrou a ela uma espécie de caneta com uma lanterna na ponta em forma de dragão, que abria e fechava a boca. E para terminar a enfermeira ficou atrás dele mostrando e escondendo uns bonecos para chamar a atenção de Clara.

Daqui a seis meses nós voltaremos lá, pois a pequena demonstrou ter herdado meu astigmatismo, mas talvez ela melhore sozinha.

Minha visão continua a mesma, estagnou nos últimos três anos. Eu estou usando óculos diferentes para trabalhar no computador e para ler. E os óculos normais eu uso para dirigir, ir ao supermercado e nada mais. Talvez isso tenha ajudado.

Conversamos sobre laser e ele me disse que se tivesse o meu problema ele esperaria ainda alguns anos antes de fazer a operação, confirmando a minha suspeita de que a técnica para astigmatismo ainda não está totalmente desenvolvida.

19 maio 2008

Passamos uma semana viajando.

Primeiro fomos visitar nossa querida amiga semi-francesa. Depois fomos para o norte da Alemanha onde meu marido participou de um torneio amistoso de hockey de campo.

Por isso andamos sumidos do mapa!

12 maio 2008



Hoje é aniversário de minha mãe. Dona Hilda para quem não a conhece, Hildinha para os mais íntimos e para as horas de diversão.

Minha querida, para você hoje e sempre, meu amor e meu carinho. Que Clara possa ainda desfrutar de muitas horas contigo para aproveitar seu mimo e sua sabedoria.

Eu te amo.

09 maio 2008

Conversa com minha mama hoje:

"Mãezinha, peraê que Clara quer mamar."

- Ela está mamando direito?

e ao fundo eu escuto Conceição perguntar:

Mas Clara ainda mama?

, ao que minha mãe retruca:

_ E só vai parar quando ela quiser, né Marcia?! Lembre-se de que sua irmã amamentou os três por muito mais que 18 meses!

Precisa saber algo mais? Sábia D. Hilda, sábia Dra. Magda.
---
Eu adoro estas flores:
Dicentra eximia - será que tem no Brasil?

Para mim elas são o prenúncio da primavera nesta terra. Dizem aqui que a primavera é a estação do amor, a seiva corre, os pássaros brincam e os homens se amam.
Os bichos também!


---
Preciso urgentemente de uma camera decente!

08 maio 2008

Ontem à tarde eu fui na casa de uma amiga bater um papo. Enquanto nós tomávamos um café e comíamos melão geladinho,, fresquinho, colhido no Vale do São Franscisco, e nada ecológico, Clara e o filho dela brincavam no terraço. Só depois de algum tempo foi que percebemos que tudo estava cheio de poeira, pois tinham uns homens trabalhando na casa ao lado.

Ela adorou brincar com este carrinho, conhecido na Alemanha por Bob Car.

Ao voltar para casa tomamos banho, vesti-lhe um pijama e deixei-a brincando no quarto. A porta do guarda-roupa estava fechada, mas não totalmente e Clara a abriu e resolveu "arrumar" minhas roupas:



Tenho que deixar, pois faz parte de seu desenvolvimento. Clara, a exploradora! como diria o marido de tia-dinda Sandra. ;-)

Mas o que eu queria deixar registrada foi a pérola que ouvi na casa da amiga acima. Conversa entre as duas mães, Marcia e a amiga, cujo filho tem 7 meses e meio:

Ela me perguntou: _ Marcia, você ainda amamenta?

"Sim, ainda bem, pois agora que ela esteve doente, ela só queria peito e nada mais. Porque?"

- Porque eu estou pensando em parar de amamentar meu filho.

"Ah, é. Mas porque? Você não está mais a fim, ou é pelo que você está escutando de outrem?" - detalhe, a sogra dela estava sentada conosco no terraço, enquanto o sogro podava umas plantas no jardim.

A amiga sem graça, respondeu: _ Eu não sei direito, fico assim pensando.

"Olha, S., a OMS aconselha você a amamentar por no mínimo dois anos."

Sogrita com cara de espanto: Mas nós não estamos na África!

E eu com cara de cínica: "Mas enquanto minha filha não mugir, ela não beberá leite de vaca"

Minha amiga quase morreu de rir. A sogra ficou quieta e nada mais comentou. Claro que eu não sou radical assim. Eu adoro leite, sem ele meu café não é café, meu mingau não é mingau. Gente, eu sou mingauhólica, seja de aveia, tapioca, milho, eu tomo mingau de manhã. E se não tiver mingau, tem müsli, sempre com leite. Mas eu tinha que dar uma resposta meio grossa, pois percebi que era a sogra que estava colocando minhocas na cabeça dessa amiga. Saí de lá pensando que apesar de Clara ter se sujado toda, a visita velheu a pena!

07 maio 2008

Perder é um verbo interessante.

Origina-se do latim "perdere" (tirado do Priberam)

v. tr.,
ser privado de coisa que se possuía; deixar de ter, de gozar; não aproveitar; deixar fugir; dar cabo de; dissipar; destruir; causar a ruína de; conduzir à perdição; corromper; desgraçar; desmerecer; descair no conceito; sofrer dano, quebra ou diminuição de; esquecer-se de; deixar de observar, de seguir, de prestar atenção a; empregar sem proveito (o tempo, o esforço, etc. );

v. int.,
ter prejuízo pecuniário; ser suplantado por um concorrente; ser vencido ao jogo; desmerecer;

v. refl.,
desaparecer; extraviar-se; corromper-se; arruinar-se; desgraçar-se; atrapalhar-se;
ficar absorvido; ficar desnorteado.

a - de vista: ao longe; muito longe; muito vasto, extenso;
deitar a -: arruinar; corromper; desgraçar;
ficar a -: ficar em desvantagem; ficar prejudicado em merecimento;
não as -: não perder a oportunidade de vingar-se ou de tirar compensação ou proveito próprio;
- -se por (alguém): gostar muito (de alguém), ao ponto de se fazer sacrifícios.

Eu não perdi um filho. Eu ganhei um filho, que vive comigo num outro plano sentimental. Fui privada dos meus sonhos, caí num abismo de tristeza e solidão, mas não o perdi. Ele está aqui comigo, guardado em meu coração, que hoje está bem colado, rachado como uma cerâmica em craquelê, mas que já esteve despedaçado de dor e sofrimento.

Às vezes eu olho para Clara e vejo Frederico, imagino como ele teria sido, como teria sorrido, imagino-o fazendo as gracinhas que ela faz. Outras vezes penso nele já grande, completando seus sete anos de vida, vejo-o brincando com sua irmã, reclamando pois ela pegou algum brinquedo seu. É, Frederico faria 7 sete anos em julho deste ano.

Os dias em sua maioria são fáceis de lidar. Carrego comigo a dor da perda dos sonhos, carrego comigo a falta de não ter podido tê-lo por mais tempo comigo. E várias vezes sinto meu coração apertar ao olhar para Clara e pensar em Fê - é assim que eu o chamo, Fê.

Tive a oportunidade de tê-lo comigo durante 36 semanas e infelizmente ele se foi. Claro que cogito se não poderia ter sido diferente, se houvessem diagnosticado o Mal de Leiden e a deficiência de Proteína S antes e eu tivesse feito a profilaxia durante a gravidez; se o hospital fosse mais perto, se, se e se. Mas são tantos os "se"s que é melhor agregar os pensamentos em volta da frase: 'eu tenho um filho num outro plano sentimental', pois do contrário eu ficaria dando voltas e mais voltas ao redor de perguntas sem respostas e meras cogitações, que nada me acrescentam.

Ele se foi um dia depois do nosso casamento. Desci do pico da felicidade para o abismo da solidão. Na hora em que cheguei ao hospital e vi na tela do aparelho de ultrasonografia que seu coração não batia, eu quis morrer. Eu pedi para morrer. Tudo no mundo perdeu a graça pois a tela mostrava que sua vida se foi. Ao olhar para meu marido percebi que se eu morresse ali, naquele momento, estaria carregando comigo a dor que eu lhe causaria. Resolvi viver, sabendo que seria uma vida diferente da que havia vivido antes.

A insuportável leveza do ser retornaria a ser simplesmente o título do livro e não mais minha vida. Um coração partido não é nada leve, ele pesa no peito, ele bombeia lágrimas, mas lhe faz também pensar no sentido da vida e dos seus atos. Tornei-me uma pessoa diferente, talvez até meio dura.

Fiz terapia de grupo, que me ajudou bastante, pois vi pessoas com dores piores e sem esperança alguma dentro de si. Depois da terapia, sozinha, descobri que tinha milhões de lágrimas dentro de mim, pedindo para sair, querendo aliviar meu coração, para que eu pudesse amar outra vez esse amor incondicional de mãe, do qual minha irmã tanto falava. Em julho de 2006 eu estava no cemitério, quando percebi que a tristeza tinha dado lugar a um sentimento novo: a esperança. Olhei para meu marido e disse: eu vou engravidar ainda este ano, pois agora estou preparada para amar, mesmo sabendo que existe a possibilidade de que tudo aconteça outra vez.

E em setembro eu comecei a fazer um tratamento. Foi duro, foi difícil e mas eu tinha certeza de que daria certo. Valeu a pena tomar 308 injeções de Clexane, várias de hormônios e as 3 injeções de Leuconorm, que doeram horrores. Além do dinheiro, eu digo que paguei um ovário por Clara - tive que retirar o ovário direito durante a gravidez, pois tive uma torsão de cisto ovarial.

Hoje em dia a beleza e leveza de Clara me alegram, me fazem mais doce, me trazem ternura e carinho.

Este ano celebrarei um dia das Mães diferente. Apesar de ser uma data comercial, sempre foi uma data importante para mim. Minha mãe faz aniversário sempre perto do dia das mães (12 de maio, né Hildinha?!) e desde 2001 eu sou mãe, mesmo sem o filho presente, ao vivo e a cores só este ano. Será um domingo alegre. Tenho certeza de que ganharei flores, talvez um chocolate ou dois, vários sorrisos desdentados e a alegria de saber que tenho dois filhos lindos, que vivem vidas diferentes, mas que moram em meu coração.

04 maio 2008



Limonada para matar a sede!



Rede para descansar!



E a belezoca para nos alegrar!

Boa semana para todos.
---

Olhem que chique esse arranjo. Ficou lindo, apesar de efêmero, pois rosas preferem açúcar a ácido cítrico.

30 abril 2008

Foi só alergia mesmo. Eu achei que fosse morrer de tanto espirrar ontem à noite.

Mile, é jaca. Comprei congelada no supermercado asiático, pois a fresca é muito cara, não tenho coragem de pagar 14 Euros num kilo, sendo que você compra os bagos com casca, caroço e bagaço - risos. Já a congelada vem limpinha e é bem gostosa, dá pra matar a saudade. Pena que só tem da dura!



Minha filha agora está aprendendo a se despir. Ela vive comendo as meias e já abre quase todos os fechos de velcro, inclusive os das fraldas.

Estive com ela na pediatra e recebemos muitos elogios. Ela ainda continua sem dente, mas está super bem em seu desenvolvimento. No momento ela está interagindo bastante com o universo. Ela se esconde, dá susto, grita, balbucia, ou seja, deixa os pais babando o tempo inteiro.

---
CARURU eu faço assim:


Ingredientes:

500 g de quiabos
100 g de castanha de caju moída
100 g de amendoim torrado e moído sem casca
30 g de camarões secos moídos (eu compro em lojas africanas, descascado)
2 cebolas grandes, picadas bem fininhas
2 colheres (sopa) de vinagre branco (usei de maçã)
2 colheres (sopa) de azeite de dendê (compro em lojas africanas)
sal
gengibre - descascado e picado, um pedacinho
pimenta
1 dente de alho, amassado
1 colher (sopa) de óleo (usei de semente de girassol)
coentro picado

Modo de fazer:
Lave, seque com papel toalha e corte os quiabos em pedacinhos. Ponha o vinagre para cortar a baba. Numa panela, aqueça o óleo e refogue primeiro o gengibre e depois os quiabos em fogo baixo!
Adicione os camarões, a cebola, o alho, o sal, a castanha e o amendoim. Adicione alguns camarões secos inteiros e grandes. Cozinhe tudo até ficar pastoso. Junte o azeite de dendê. Quando os caroços dos quiabos estiverem bem rosados, retire do fogo. Junte o coentro picado, misture e sirva. Às vezes eu coloco um pouco de leite de coco, se ficar muito seco.

29 abril 2008



Depois eu posto a receita de caruru!

Estou sem tempo, recaída de vírus aqui em casa.