Quando eu soltar a minha voz
Por favor, entenda
Que palavra por palavra
Eis aqui uma pessoa se entregando
Coração na boca, peito aberto
Vou sangrando
São as lutas dessa nossa vida
Que eu estou cantando
E é assim que eu escrevo, me entregando, mostrando as lutas, deixando o coração à vista.
Eu já escrevia antes de ter o blog. Sim, com papel e lápis, num caderno. Registrava meus pensamentos, minhas alegrias e minhas dores. Só não o fazia com a mesma continuidade que tento manter aqui neste espacinho. Usava o lápis pois acho que cansa menos do que uma esferográfica e suja menos do que uma caneta-tinteiro, que é minha preferida!
Comecei a ler e a escrever muito cedo. Eu lia tudo. E ler é meio caminho andado em direção à escrita. Na escola tinhámos redações obrigatórias e eu me deliciava com elas. Sempre tive uma imaginação fértil. Não sou sonhadora no sentindo romântico da palavra. Mas divago bastante e às vezes fico bolando estórias a partir de uma frase, um quadro, uma paisagem ou simplesmente sonhando acordada, planejando coisas mirabolantes, esquemando planos maquiavélicos para mudar o mundo - e neste ponto eu serei uma eterna romântica.
Escrever foi para mim uma válvula de escape no momento mais difícil da minha vida. Quando Frederico morreu, eu quis morrer também. E no mesmo instante eu olhei para meu marido e percebi, que se eu morresse ele não iria sobreviver. Decidi na mesma hora que eu queria viver e que seríamos felizes juntos, mesmo na dor. Usei a escrita para registrar meus pensamentos; minhas lágrimas escoavam, mas as palavras ficavam gravadas. Foi a fase mais produtiva da minha vida. Eu não tinha força para nada e escrever aliviava meu peito e ajudava a colocar um pouco de luz em minha vida. Os poemas estão guardados, quem sabe um dia eu publico algum por aqui.
Eu não sei como é que eu escrevo, e nem se escrevo bem ou não. Mas sei que de um momento para o outro minha cabeça está cheia de letras que precisam sair para descongestionar meu cérebro. E eu inicio falando como e finalizo dizendo o porque e é assim que eu sou, multi-tarefas, sem ser perfeita, mas buscando a perfeição.
Agora eu escrevo para contar o que eu vivo, o que me emociona, para falar das peripécias da Clara, para comentar o meu dia-a-dia. Tento colocar em preto-e-branco toda a alegria que sinto e a energia que me move, para deixar colorida e vibrante esta parte do meu mundo, que agora também é seu.
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Sandra, como é que você escreve?
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