Da sala de cirurgia fui transportada para a "sala-de-estar", onde fiquei em observação por mais ou menos 4 horas.
Nossa felicidade era palpável. Meus sogros logo, logo chegariam, com flores, champanha gelada e um presente para mim. Claro, a champanha era para o pai e para eles. Eu estava me deliciando com um soro com novalgina e tramal (um derivado de ópio) e já estava pra lá de Bagdá.
Claro que o clima de festa continuou. Duas amigas do peito - Claudia Bier e Jutta - apareceram ainda antes dos meus sogros. Chegaram, choraram, deram um monte de presentes para Clara, tiraram fotos e foram embora. Meus sogros chegaram, choraram, beberam e ficaram bastante tempo comigo. Meu marido veio em casa pegar Sônia e meus sogros me levaram ao mini apartamento.
A política do hospital é "rooming-in" ou seja, as mães e bebês ficam junto num mesmo quarto. Claro que as enfermeiras ajudam no que for preciso e os bebês podem ficar à noite com elas. O quarto tem uma cômoda alta para troca de fraldas, bercinho, fraldas, roupinhas, toalhas e quase tudo o que é necessário para cuidar do bebê.
Logo que Peter chegou, meus sogros foram embora, e uma enfermeira veio pegar Clara para dar banho, medí-la e pesá-la. Eu entrei em greve. Finquei o pé e disse que o banho só comigo, que era importante para mim estar presente e que se eu não estivesse presente, nada de banho. Daí Peter levou Clara e uma enfermeira veio com uma cadeira de rodas me levar para a sala onde eles examinam e dão banho nos bebês. Eu queria ir andando, mas a enfermeira alegou que precisava de ajuda, caso eu passasse mal. Me prontive a ir de cadeira de rodas, mas levantei assim que cheguei na sala e ajudei a dar o primeiro banho. A enfermeira neo-natal, Andrea, explicou como cuidar do umbigo e outros cuidados. Voltei a pé para o quarto, para o grande espanto das enfermeiras. Peter carregou Clara no colo - o que também não é "normal", pois todo mundo vive transportando os bebês nos bercinhos. Levantei ainda duas vezes durante a noite para passear pelo corredor - como tinha sugerido minha médica.
A enfermeira do plantão noturno tirou o cateter da uretra e me orientou a usar sempre água para me lavar e trocar o absorvente todas as vezes que eu fosse ao banheiro. Os lóquios (ou seja o fluxo pós-parto) contém muitas bactérias e estas podem causar mastite, caso você pegue nos seios com as mãos sujas, e até mesmo causar infecçoes no bebê. A explicação é que mesmo seios aparentemente saudáveis tem micro-rachaduras na pele, por onde as bactérias podem entrar.
Na primeira noite Clara dormiu bastante, mamou duas vezes e eu descansei bastante.
De manha cedinho meu marido já estava conosco. Disse-me que estava com saudade de suas mulheres. Logo depois do café uma fisioterapeuta chegou para fazer uns exercícios comigo. Ela olhou minha ficha e me perguntou: tem certeza de que a cirurgia foi ontem?
Claro que eu sentia dor. A dor maior era dos lados do abdômen. Mas Dra. Wölfler me explicou que ela tinha cortado o tecido das operações antigas e feito uma espécie de plástica interna e que eu iria sentir muita dor nas laterais do abdômen. Mas dor é normal após o parto. E eu precisava me movimentar para voltar ao normal. Se você fica deitada, sua circulação não funciona direito e a cicatrização é mais demorada. Além do mais, o útero não contrai direito, podendo causar vários problemas à mulher. Tomei paracetamol intravenoso no final da tarde e passei a noite sem dor.
Clara perdeu cerca de 200 g nos primeiros dois dias. Mas no terceiro ela voltou a ganhar peso. Também, né, passou o dia todo mamando. No quarto dia o umbigo caiu e secou. E ela estava 10g acima do peso de nascimento. Andrea deu banho nela de torneira, na pia, e Clara adorou. Neste hospital eles dão banho após o parto só com água morna. E depois eles dão "banho de gato" até o umbigo cair. Disseram-me que pesquisas mostraram ser melhor assim.
Eu não tomei mais analgésicos após o segundo dia. A amamentação estava indo bem e as dores eram suportáveis. No terceiro dia Andrea colheu sangue do pé de Clara para fazer vários exames, dentre eles exames para verificar se ela tem mucoviscidose. Fiquei morrendo de pena de minha filha, que chorou muito durante a coleta, pois Andrea - a malvada - teve de furá-la umas cinco vezes para conseguir colher todo o sangue necessário!
No quinto dia tivemos alta. E chegamos felizes em nossa casa. Não sinto dor e sigo as recomendações de Dra. Wölfler: não ficar subindo e descendo escadas; colocar as pernas para cima sempre que possível; não carregar nada acima do peso do neném (neste caso é Clara ou a cadeirinha, mas nunca as duas juntas!); beber bastante líquidos; me alimentar direito; tomar minha injeção de Clexane di-a-ri-a-men-te; evitar estresse e curtir minha filha.
Eu me emociono quando digo: Tenho uma filha. Ou quando ouvi minha vizinha falar: Ah, a família H. está chegando. Filha, família... palavras carregadas de amor.
16 julho 2007
15 julho 2007
Fê
Porque hoje, apesar de toda alegria que carrego em meus braços,
meu coração sente a sua falta.
Eu já parei de perguntar o porque.
Eu já aceitei.
Porém, hoje é um dia para deixar as lágrimas correrem,
lavando a alma e o coração.
Hoje também é um dia para agradecer
pelo tempo, que passamos juntos,
pelos pequenos prazeres, que tivemos,
pelo simples fato de você existir.
Não importa onde você está agora,
você estará sempre presente.
E o amor, que hoje é incondicional,
é também eterno.
14 julho 2007
receitas e truques
Meninas, parece mentira, mas muqueca ou moqueca é um dos pratos mais fáceis da culinária baiana.
O camarão deste tamanho tem no Aldi (Riesengarnelen natur) e em supermercados asiáticos. O do Aldi é mais caro, porém vem limpo. O do asiático tem que tirar o intestino!
Sônia disse que agora receita ela não dá. Ela só dará se ela puder falar pessoalmente, pois ela agora é camareira-mor da princesa Clara e não tem tempo de anotar receitas!
Minha versão é assim:
Descongele os camarões (ca. 400 g). Seque-os com papel toalha. Polvilhe-os com sal marinho!
Corte em rodelas: 2 tomates, meio pimentão verde, meio pimentão vermelho, uma cebola grande.
Pique 1 dente de alho. Pique uma cebola bem miudinha.
Numa frigideira alta (eu não tenho panela de barro!) refogue a cebola e o alho picado em um tiquinho de azeite doce. Acrescente metade dos temperos, refogue. Adicione o camarão e refogue por no máximo 9 minutos. Coloque uma xícara de leite de coco, umas duas colheres de sopa de azeite de dendê. Misture. Adicione o restante dos temperos, abafe por mais 2 minutos. Polvilhe com coentro picado. Sirva com arroz branco, molho de pimenta e farofa ou pirão - como preferir!
Teste o sal, se quiser acrescente um pouco de suco de limão.
Bom apetite.
---
@Mile: O dendê eu compro em lojas africanas. É de ótima qualidade. Outra opção seria comprar em lojas de produtos brasileiros que vendem online. Aqui na Alemanha existem várias. Mas eu prefiro o dendê africano, a qualidade é melhor!
O camarão deste tamanho tem no Aldi (Riesengarnelen natur) e em supermercados asiáticos. O do Aldi é mais caro, porém vem limpo. O do asiático tem que tirar o intestino!
Sônia disse que agora receita ela não dá. Ela só dará se ela puder falar pessoalmente, pois ela agora é camareira-mor da princesa Clara e não tem tempo de anotar receitas!
Minha versão é assim:
Descongele os camarões (ca. 400 g). Seque-os com papel toalha. Polvilhe-os com sal marinho!
Corte em rodelas: 2 tomates, meio pimentão verde, meio pimentão vermelho, uma cebola grande.
Pique 1 dente de alho. Pique uma cebola bem miudinha.
Numa frigideira alta (eu não tenho panela de barro!) refogue a cebola e o alho picado em um tiquinho de azeite doce. Acrescente metade dos temperos, refogue. Adicione o camarão e refogue por no máximo 9 minutos. Coloque uma xícara de leite de coco, umas duas colheres de sopa de azeite de dendê. Misture. Adicione o restante dos temperos, abafe por mais 2 minutos. Polvilhe com coentro picado. Sirva com arroz branco, molho de pimenta e farofa ou pirão - como preferir!
Teste o sal, se quiser acrescente um pouco de suco de limão.
Bom apetite.
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@Mile: O dendê eu compro em lojas africanas. É de ótima qualidade. Outra opção seria comprar em lojas de produtos brasileiros que vendem online. Aqui na Alemanha existem várias. Mas eu prefiro o dendê africano, a qualidade é melhor!
ÈPA BÀBÁ
Porque ontem foi sexta-feira, treze!
Saravá! Que Oxalá nos proteja. Que Omolu seja um grande pai protetor!
Minha sogra lambeu os dedos. Verdade! Se Jorge Amado a tivesse visto escreveria algo como:
"E a alemã suspirava, lambia os dedos como se estivesse na cama com um macho, se deliciando com os quitutes de D. Sônia."
---
Ontem eu liguei para agradecer à tia de meu marido, por um presente que ela nos deu (uma colcha para Clarita engatinhar - agora ela tem duas, eita menininha consumista!). Conversa vai, conversa vem ela me diz:
"Você sabe que hoje foi o enterro de tia XY? Na nossa família sempre que um vai, outro vem! Já estava na hora dela, com 98 anos completos ela queria ir para onde o marido está. E já estava na hora de vocês. Foram 6 anos de espera."
E eu fiquei realmente boquiaberta, sem saber o que dizer.

12 julho 2007
o parto - vou avisando: é longo
Magda, minha irmã, me disse uma vez: quando você tiver um filho, você descobrirá o verdadeiro significado do amor incondicional. Se durante a gravidez, meu amor já era infinito, ele hoje transcende as barreiras da Via Láctea e Clara é um buraco negro, onde meu amor se transforma em energia.
Parir é quase sempre doloroso. No meu caso, a cesariana eletiva não me deixaria sentir dor na hora do ato em si, mas o pós operatório não é nada a ser desejado - pensava eu! Chegamos ao hospital às 5:25. Encontramos com Roya e Julia, as duas enfermeiras obstetrizes, que estariam de plantão, no estacionamento do hospital. Todas duas são maravilhosas. Roya é a enfermeira obstetriz chefe do hospital e disse-me que iria estar presente durante o parto. Para a tristeza de Julia, que também queria estar presente!
Entramos e nos instalamos na chamada "sala-de-estar". Uma sala de parto com sofá, corda, bolas, pias, tapete de borracha e outras parafernálias inúteis no meu caso. Roya colocou uma cama no quarto, me deu uma daquelas camisolas de hospital, exatamente, daquelas que nos deixam de bunda de fora!, e me disse: Minha querida, daqui a pouco eu volto para lhe preparar para a operação. E para meu marido: Quer um café ou um cappuccino? Poxa, eu ali, morrendo de fome e ela oferece cappuccino pra ele na minha cara? Poderia tê-lo chamado fora do quarto!
Daí foi: me colocar sob monitoração ou seja cardiotocografia anteparto de repouso, raspar o lugar do corte, colocar-me no soro e um cateter na uretra, para que eu fosse me acostumando - disse ela! Mais ou menos uns cinco minutos depois ela voltou e nos informou, que a sala de cirurgia estaria ocupada por um tempo a mais e que minha operação seria mais ou menos às 10:30. Bem, pelo menos o soro não me deixaria com sede. A fome é mais psicológica!
Uns 15 minutos depois ela entrou e verificou se a cardiotocografia estava indo bem. E para nossa surpresa eu comecei a ter contrações fortes. Mais ou menos uma hora depois eu disse que precisaria ir ao banheiro. Lá fomos nós duas com soro e bolsa coletora de urina. Sentei e senti um líquido saindo do meu corpo. Ela mal se continha de alegria: Querida, acho que sua bolsa rasgou. Você estará entrando em breve em trabalho de parto, vamos voltar pra cama e testar. Eu tenho que avisar ao centro cirúrgico, penso que deveremos mudar de sala. Ai, ai, ai, isso é um bom sinal. É o dia certo, pensei eu, ainda tranquilona!
Roya falou com o centro cirúrgico e a sala 24 estava ficando livre. A operação em curso - uma senhora com câncer - já estava saindo. Minha médica predileta - Dra. Monica Wölfler, já tinha chegado para fazer a cirurgia, apesar de não ser plantão dela. Mas o médico chefe, Dr. Bartz, chegou e me disse que Dra. Wölfler não iria fazer minha cesária e sim o Dr. Ritgens - que eu também conhecia como especialista em ultrasonografia. Mas que tanto ele - o Dr. Bartz, quanto Dr. Wölfler estariam presentes.
Peter a esta altura já estava com o traje verde, típico de quem entra em ala cirúrgica, sapatos esterilizáveis e nervosissímo, mas emanava uma alegria ímpar.
Lá fomos nós para a ala cirúrgica. Passaram-me da cama de hospital para uma maca estreita, cobriram-me com cobertores pré-aquecidos e me levaram para a sala de cirurgia No. 24. Lá a equipe da anestesista já me esperava, colocando fios para ECG, monitoramento de respiração, oxigenação e cardiotocografia. Era como se eu estivesse participando de um balé, muito bem ensaiado. Tudo e todos em movimentos coordenados, sem pressa e com alegria. A anestesista disse-me que iria me dar um anestésico local e só então estaria dando a anestesia em si - a raquianestesia. E aí deu-se início à tortura. Ela tentou umas quatro vezes e não conseguiu me dar anestesia. Daí veio um outro médico e tentou mais quatro vezes e nada. Eu olhava para meu marido e ele estava muito quieto, o que quase não é normal quando ele me vê sofrer. Quando eu ouvi: se não der certo, será com anestesia geral, eu gelei. Mas Roya mostrou presença de espírito e disse: Chamem o Dr. XYZ, ele é especialista em anestesiar grávidas. Ela tem que ver este neném nascer. E o Dr. XYZ, de quem eu nem vi a cara direito, chegou, apalpou minha coluna, pediu uma agulha No. não sei o que e pimba, lá estava eu anestesiada. As pernas começaram a adormecer. Daí foi só mobilizar as últimas forças para me posicionar direito na maca estreita. Uma enfermeira esterilizou minha barriga - o que eu a via fazendo, mas já nem sentia e outra colocou uma espécie de lençol tapando a visão. Peter sentou-se ao meu lado e do outro a anestesista. E eu ouvi o Dr. Ritgens falar para Dra. Wölfler e Roya: Vamos começar. Eu quase gritei, esperem, vocês ainda nem testaram se a anestesia está fazendo efeito, quando Roya me informou: Você nem sentiu o Dr. Ritgens te pinicando com um alicate! Daí eu falei: Seu malvado, mas vamos começar! E em menos de cinco minutos eu ouvi um grito. Um choro de vida, que imediatamente tatuou em meu coração a palavra mãe. Lágrimas afloraram em nossos olhos e a felicidade tomou conta de nossos seres. Peter me abraçou chorando, me perguntando se eu havia ouvido o choro de nosso baby. Ouvi alguém falar é menina, ele sussurrou é menina e dissemos: é Clara!
Roya pegou-a em toalhas quentes, gritou para a anestesista soltar meu braço, deixou-me pegá-la, enquanto os neonatologistas gritavam da porta, que ela deveria levar Clara até eles. Foram segundos, eternos segundos de alegria, que persistirão até o fim da minha vida.
Sugaram o nariz e estômago de Clara e chamaram Peter, que cortou o cordão e ajudou Roya a secá-la. Fizeram o teste de APGAR (9-10-10) e enquanto isto a Dra. Wölfler me informava o que eles estavam fazendo comigo: sugando líquido aminiótico, tirando a placenta, injetando oxitocina para contrair o útero, costurando isso, costurando aquilo, injetando mais oxitocina, cortando a cicatriz antiga, costurando os músculos com laser (ih, que trocinho mal-cheiroso é carne queimada rsrs), etc. Peter voltou com ela rapidinho, tive a chance de tocá-la outra vez e lá foi ele com Roya para a "sala-de-estar", onde eu ficaria em observação.
O clima era de festa. Todos os médicos e enfermeiras me dando parabéns. O anestesista, cujo nome eu não sei, voltou e me deu parabéns. E logo eu estava prontinha para ir de encontro à minha filha. Nossa, meu coração vibra quando eu digo estas palavras. Meus olhos enchem-se de lágrimas e um sorriso aflora em minha face. Minha filha, tão amada, tão querida e esperada, que veio ao mundo para ser feliz, para fazer o bem, para ser alegre e acima de tudo amada.
Limparam-me e a Dra. Wölfler foi comigo até a saída da ala cirúrgica. Na porta ela falou: existe um comitê lhe esperando: Roya, Peter e Clara. Peter a colocou em meu colo e ela foi fuçando como um cachorro à procura do meu peito. Durante o transporte até a "sala-de-estar" ela mamou. Eu, ainda dopada da anestesia e da grande alegria, não sentia dor. Era como se uma névoa protetora nos envolvesse. Tinhámos olhos somente para o serzinho cor-de-rosa, que nos encantou com seu grito.
Entramos no paraíso. Nossos corações se elevaram em júbilo e gratidão. Temos uma estrela brilhando no céu, que estará sempre conosco. E uma agora na terra.
Clara é um anjo que veio para ajudar a alegria a ser hóspede permanente outra vez em nossa casa.
Agora eu sei o que é um amor incondicional! E agradeço a Deus por ter a oportunidade de conhecer este sentimento. Rezo para que nossa alegria seja repartida e se multiplique.
Obrigada a todos que se alegram conosco.
---
Depois eu conto como foi o pós!
Parir é quase sempre doloroso. No meu caso, a cesariana eletiva não me deixaria sentir dor na hora do ato em si, mas o pós operatório não é nada a ser desejado - pensava eu! Chegamos ao hospital às 5:25. Encontramos com Roya e Julia, as duas enfermeiras obstetrizes, que estariam de plantão, no estacionamento do hospital. Todas duas são maravilhosas. Roya é a enfermeira obstetriz chefe do hospital e disse-me que iria estar presente durante o parto. Para a tristeza de Julia, que também queria estar presente!
Entramos e nos instalamos na chamada "sala-de-estar". Uma sala de parto com sofá, corda, bolas, pias, tapete de borracha e outras parafernálias inúteis no meu caso. Roya colocou uma cama no quarto, me deu uma daquelas camisolas de hospital, exatamente, daquelas que nos deixam de bunda de fora!, e me disse: Minha querida, daqui a pouco eu volto para lhe preparar para a operação. E para meu marido: Quer um café ou um cappuccino? Poxa, eu ali, morrendo de fome e ela oferece cappuccino pra ele na minha cara? Poderia tê-lo chamado fora do quarto!
Daí foi: me colocar sob monitoração ou seja cardiotocografia anteparto de repouso, raspar o lugar do corte, colocar-me no soro e um cateter na uretra, para que eu fosse me acostumando - disse ela! Mais ou menos uns cinco minutos depois ela voltou e nos informou, que a sala de cirurgia estaria ocupada por um tempo a mais e que minha operação seria mais ou menos às 10:30. Bem, pelo menos o soro não me deixaria com sede. A fome é mais psicológica!
Uns 15 minutos depois ela entrou e verificou se a cardiotocografia estava indo bem. E para nossa surpresa eu comecei a ter contrações fortes. Mais ou menos uma hora depois eu disse que precisaria ir ao banheiro. Lá fomos nós duas com soro e bolsa coletora de urina. Sentei e senti um líquido saindo do meu corpo. Ela mal se continha de alegria: Querida, acho que sua bolsa rasgou. Você estará entrando em breve em trabalho de parto, vamos voltar pra cama e testar. Eu tenho que avisar ao centro cirúrgico, penso que deveremos mudar de sala. Ai, ai, ai, isso é um bom sinal. É o dia certo, pensei eu, ainda tranquilona!
Roya falou com o centro cirúrgico e a sala 24 estava ficando livre. A operação em curso - uma senhora com câncer - já estava saindo. Minha médica predileta - Dra. Monica Wölfler, já tinha chegado para fazer a cirurgia, apesar de não ser plantão dela. Mas o médico chefe, Dr. Bartz, chegou e me disse que Dra. Wölfler não iria fazer minha cesária e sim o Dr. Ritgens - que eu também conhecia como especialista em ultrasonografia. Mas que tanto ele - o Dr. Bartz, quanto Dr. Wölfler estariam presentes.
Peter a esta altura já estava com o traje verde, típico de quem entra em ala cirúrgica, sapatos esterilizáveis e nervosissímo, mas emanava uma alegria ímpar.
Lá fomos nós para a ala cirúrgica. Passaram-me da cama de hospital para uma maca estreita, cobriram-me com cobertores pré-aquecidos e me levaram para a sala de cirurgia No. 24. Lá a equipe da anestesista já me esperava, colocando fios para ECG, monitoramento de respiração, oxigenação e cardiotocografia. Era como se eu estivesse participando de um balé, muito bem ensaiado. Tudo e todos em movimentos coordenados, sem pressa e com alegria. A anestesista disse-me que iria me dar um anestésico local e só então estaria dando a anestesia em si - a raquianestesia. E aí deu-se início à tortura. Ela tentou umas quatro vezes e não conseguiu me dar anestesia. Daí veio um outro médico e tentou mais quatro vezes e nada. Eu olhava para meu marido e ele estava muito quieto, o que quase não é normal quando ele me vê sofrer. Quando eu ouvi: se não der certo, será com anestesia geral, eu gelei. Mas Roya mostrou presença de espírito e disse: Chamem o Dr. XYZ, ele é especialista em anestesiar grávidas. Ela tem que ver este neném nascer. E o Dr. XYZ, de quem eu nem vi a cara direito, chegou, apalpou minha coluna, pediu uma agulha No. não sei o que e pimba, lá estava eu anestesiada. As pernas começaram a adormecer. Daí foi só mobilizar as últimas forças para me posicionar direito na maca estreita. Uma enfermeira esterilizou minha barriga - o que eu a via fazendo, mas já nem sentia e outra colocou uma espécie de lençol tapando a visão. Peter sentou-se ao meu lado e do outro a anestesista. E eu ouvi o Dr. Ritgens falar para Dra. Wölfler e Roya: Vamos começar. Eu quase gritei, esperem, vocês ainda nem testaram se a anestesia está fazendo efeito, quando Roya me informou: Você nem sentiu o Dr. Ritgens te pinicando com um alicate! Daí eu falei: Seu malvado, mas vamos começar! E em menos de cinco minutos eu ouvi um grito. Um choro de vida, que imediatamente tatuou em meu coração a palavra mãe. Lágrimas afloraram em nossos olhos e a felicidade tomou conta de nossos seres. Peter me abraçou chorando, me perguntando se eu havia ouvido o choro de nosso baby. Ouvi alguém falar é menina, ele sussurrou é menina e dissemos: é Clara!
Roya pegou-a em toalhas quentes, gritou para a anestesista soltar meu braço, deixou-me pegá-la, enquanto os neonatologistas gritavam da porta, que ela deveria levar Clara até eles. Foram segundos, eternos segundos de alegria, que persistirão até o fim da minha vida.
Sugaram o nariz e estômago de Clara e chamaram Peter, que cortou o cordão e ajudou Roya a secá-la. Fizeram o teste de APGAR (9-10-10) e enquanto isto a Dra. Wölfler me informava o que eles estavam fazendo comigo: sugando líquido aminiótico, tirando a placenta, injetando oxitocina para contrair o útero, costurando isso, costurando aquilo, injetando mais oxitocina, cortando a cicatriz antiga, costurando os músculos com laser (ih, que trocinho mal-cheiroso é carne queimada rsrs), etc. Peter voltou com ela rapidinho, tive a chance de tocá-la outra vez e lá foi ele com Roya para a "sala-de-estar", onde eu ficaria em observação.
O clima era de festa. Todos os médicos e enfermeiras me dando parabéns. O anestesista, cujo nome eu não sei, voltou e me deu parabéns. E logo eu estava prontinha para ir de encontro à minha filha. Nossa, meu coração vibra quando eu digo estas palavras. Meus olhos enchem-se de lágrimas e um sorriso aflora em minha face. Minha filha, tão amada, tão querida e esperada, que veio ao mundo para ser feliz, para fazer o bem, para ser alegre e acima de tudo amada.
Limparam-me e a Dra. Wölfler foi comigo até a saída da ala cirúrgica. Na porta ela falou: existe um comitê lhe esperando: Roya, Peter e Clara. Peter a colocou em meu colo e ela foi fuçando como um cachorro à procura do meu peito. Durante o transporte até a "sala-de-estar" ela mamou. Eu, ainda dopada da anestesia e da grande alegria, não sentia dor. Era como se uma névoa protetora nos envolvesse. Tinhámos olhos somente para o serzinho cor-de-rosa, que nos encantou com seu grito.
Entramos no paraíso. Nossos corações se elevaram em júbilo e gratidão. Temos uma estrela brilhando no céu, que estará sempre conosco. E uma agora na terra.
Clara é um anjo que veio para ajudar a alegria a ser hóspede permanente outra vez em nossa casa.
Agora eu sei o que é um amor incondicional! E agradeço a Deus por ter a oportunidade de conhecer este sentimento. Rezo para que nossa alegria seja repartida e se multiplique.
Obrigada a todos que se alegram conosco.
---
Depois eu conto como foi o pós!
11 julho 2007
chegamos
Eu vou colocar aqui algumas fotos. Mais tarde voltarei para escrever, contar como foi - se é que é possível descrever o que senti e sinto. Estou muito feliz.
Minto!
Estou tão feliz, que nem encontro palavras para descrever tamanha felicidade.
Muito obrigada a todos pelos pensamentos positivos, orações, preces, despachos (rsrsrs)... e por todos os comentários aqui no blog.
Clara é uma estrela, que caiu do céu para reiluminar nossas vidas! - disse a vovó dela!
Minto!
Estou tão feliz, que nem encontro palavras para descrever tamanha felicidade.
Muito obrigada a todos pelos pensamentos positivos, orações, preces, despachos (rsrsrs)... e por todos os comentários aqui no blog.
Clara é uma estrela, que caiu do céu para reiluminar nossas vidas! - disse a vovó dela!
06 julho 2007
Alguns detalhes
Vim aqui contar pra voces alguns detalhes ...
Agridoce escreveu assim no blog dela sobre o nascimento da nene:
Entao, filha da Luz é "Clara". Que veio para brilhar a vida dos pais.
Clara nasceu com 2.970kg e 53cm. Gente, uma pirulita hein!
Sonia disse que Clara é linda, linda!
Calminha, é aloirada feita o pai, que está todo prosa e mal consegue conversar de tao emocionado. E ela tem os olhos puxadinhos da mae, que por enquanto sao claros.
Ainda bem que eles nao fizeram nada no quarto da nene, porque ia ser pintado de verde. Hoje Peter comeca a pintar e a decorar tudo, especialmente para Clara. Tudo com cara de menina.
Marcia ontem mesmo já levantou da cama e deu alguns passos. E Clara já está mamando toda afoita. E falando em alimentacao, hoje cedo Marcia ligou para a Sonia e disse que estava com vontade de arroz com franguinho e brócolis. :)
Dá para perceber que Marcia já está em forma, né!
Agridoce escreveu assim no blog dela sobre o nascimento da nene:
Marcia é a personificação da esperança em dias melhores.
Marcia é um exemplo concreto de luta pelo que acreditamos.
Se tivesse que definir a Marcia com uma palavra seria LUZ.
Entao, filha da Luz é "Clara". Que veio para brilhar a vida dos pais.
Clara nasceu com 2.970kg e 53cm. Gente, uma pirulita hein!
Sonia disse que Clara é linda, linda!
Calminha, é aloirada feita o pai, que está todo prosa e mal consegue conversar de tao emocionado. E ela tem os olhos puxadinhos da mae, que por enquanto sao claros.
Ainda bem que eles nao fizeram nada no quarto da nene, porque ia ser pintado de verde. Hoje Peter comeca a pintar e a decorar tudo, especialmente para Clara. Tudo com cara de menina.
Marcia ontem mesmo já levantou da cama e deu alguns passos. E Clara já está mamando toda afoita. E falando em alimentacao, hoje cedo Marcia ligou para a Sonia e disse que estava com vontade de arroz com franguinho e brócolis. :)
Dá para perceber que Marcia já está em forma, né!
05 julho 2007
03 julho 2007
Aviso aos navegantes
A partir de hoje eu estarei ausente, pois darei entrada no hospital para exames, conversas e uma comidinha muito ruim, se não fosse a substituição da mesma pela comidinha de Sônia. E amanhã...
---
Amanhã, será um lindo dia, da mais louca alegria
Que se possa imaginar
Amanhã, redobrada força p'ra cima, que não cessa
Há de vingar
Amanhã, mais nenhum mistério, acima do ilusório
O astro-rei vai brilhar
Amanhã a luminosidade, alheia a qualquer vontade
Há de imperar
Amanhã está toda esperança por menor que pareça
Existe, e é p'ra vicejar
Amanhã, apesar de hoje, será a estrada que surge
P'ra se trilhar
Amanhã, mesmo que uns não queiram
será de outros que esperam
Ver o dia raiar
Amanhã, ódios aplacados,
temores abrandados, será pleno.
---
...Pois com toda ajuda do Senhor estaremos com um(a) lindo(a) neném completando nossa família.
Obrigada a todos que pensam em nós três com carinho! Rezem por nós!
Nossa querida tia-repórter-do-plantão-do-parto-da-hora, Sandra M., estará colocando aqui as novidades.
Fiquem com Deus - pode substituir pelo nome de sua vontade/religião! Obrigada a todos que pensam em nós três com carinho! Rezem por nós!
Comidas e outros
Se você quiser encomendar salgadinhos e bolos na região de Frankfurt, consulte a Bia. Vejam que maravilhas ela faz! Bem, digo maravilhas, pois imagino que com este esmero todo, o gosto deve estar simplesmente dos deuses! Acho que no dia que a internet tiver cheiro e sabor eu vou morrer de tanto comer!
---
Meu marido já não consegue disfarçar a ansiedade. Eu acordo n-vezes durante a noite (posição incômoda, sede, banheiro, azia, etc), ele sempre acorda e pergunta: tudo bem com você? E se eu quiser, ele desce para pegar um copo de leite, um biscoito, etc. Ele é um docinho, mas está tão nervoso, que tudo é motivo para ficar fazendo beicinho! Mas eu o perdôo.
---
Pedi a Sônia uma comida que eu sei fazer, mas nem sempre dá certo: frigideira de repolho com camarão! Não sei o porque do nome ser "frigideira" já que vai ao forno! Ficou uma delícia, servida com salada (vejam o detalhe dos talheres em forma de girafa, comprados na beira de uma estrada na África do Sul) e arroz branco.

De sobremesa tivemos "Rote Grütze" - uma espécie de compota feita com cerejas, groselhas e framboesas, com molho de baunilha (foi a primeira vez que Sônia viu uma fava de baunilha ao vivo!). Ela está anotando tudo e diz que quando voltar irá deixar muita gente deliciada com as coisas que está aprendendo por aqui.
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Meu marido já não consegue disfarçar a ansiedade. Eu acordo n-vezes durante a noite (posição incômoda, sede, banheiro, azia, etc), ele sempre acorda e pergunta: tudo bem com você? E se eu quiser, ele desce para pegar um copo de leite, um biscoito, etc. Ele é um docinho, mas está tão nervoso, que tudo é motivo para ficar fazendo beicinho! Mas eu o perdôo.
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Pedi a Sônia uma comida que eu sei fazer, mas nem sempre dá certo: frigideira de repolho com camarão! Não sei o porque do nome ser "frigideira" já que vai ao forno! Ficou uma delícia, servida com salada (vejam o detalhe dos talheres em forma de girafa, comprados na beira de uma estrada na África do Sul) e arroz branco.

De sobremesa tivemos "Rote Grütze" - uma espécie de compota feita com cerejas, groselhas e framboesas, com molho de baunilha (foi a primeira vez que Sônia viu uma fava de baunilha ao vivo!). Ela está anotando tudo e diz que quando voltar irá deixar muita gente deliciada com as coisas que está aprendendo por aqui.
02 julho 2007
Sônia e suas impressões

As primeiras impressões podem realmente marcar um relacionamento. Nem sempre conseguimos mudar a nossa maneira de ver alguém ou alguma coisa.
A Sandra M. pediu e o que ela pede é uma ordem. Aqui está uma lista das primeiras impressões de Sônia sobre a Alemanha, ou melhor sobre Aachen:
- quase não se vê uma criança pequena andando, elas estão sempre em carrinhos
- quase não se vê uma crianca pequena sendo carregada no colo, em um mês foram vistas 2!
- carros abertos, com aparelho de som dentro - coisa impossível no Brasil
- flores e mais flores em canteiros e jardins, e ninguém rouba, ninguém destroi
- uma feira livre decente, limpa e tranqüila, onde você pode até comer sem medo
- apesar de fumante, fuma-se muito neste país, até em ambientes fechados
- muito silêncio e tranqüilidade, quase nunca ouve-se uma buzina ou carros com som ligado às alturas
- o mais impressionante: ônibus com horário marcado, ninguém precisa ficar horas esperando sem saber se a conducão irá passar ou não
- as pessoas são mais educadas e gentis, muita gente prestativa - apesar da dificuldade de não falar alemão
- o lixo da casa é separado, é uma ciência separar tudo, mas tudo é recolhido separado e é reciclado
- ruas sem lixo e sem entulhos
- diversos produtos de limpeza: para cada superfície um produto especial - apesar de não ser necessário
- mil e um tipos de cervejas, todas deliciosas, exceto a que veio com refrigerante (e era de Peter!)
- o céu todo claro à noite e ela fica tentando comparar com o Brasil
01 julho 2007
CHIO 2007 - O hype da cidade
Minha cidade é chique! Vou dar uma de madame e falar sobre um assunto que não entendo!
Estará acontecendo na próxima semana, de 3 a 8 de julho de 2007, o CHIO - Concours Hippique International Officiel.
Nada entendo eu de cavalos. Admiro quem monta, quem curte, quem entende, mas adoro vê-los. Trabalhei no CHIO em 2002, récem chegada da Suécia, sem conhecer ninguém e adorei.
O domingo anterior ao início das competições é chamado de Soerser-Sonntag. A entrada é franca e há vários shows. É uma delícia, principalmente quando o tempo ajuda - e hoje ajudou bastante - e faz um solzinho.
Estas são as fotos do nosso passeio de hoje. Houveram várias demonstrações, cada uma mais linda do que a outra, inclusive um show com aves de rapina. O que mais me impressionou foi a demonstração sobre o uso de cavalos em terapias com crianças e adultos deficientes, pena que na hora eu estava sentadinha, longe demais para tirar fotos decentes.
Estará acontecendo na próxima semana, de 3 a 8 de julho de 2007, o CHIO - Concours Hippique International Officiel.
Nada entendo eu de cavalos. Admiro quem monta, quem curte, quem entende, mas adoro vê-los. Trabalhei no CHIO em 2002, récem chegada da Suécia, sem conhecer ninguém e adorei.
O domingo anterior ao início das competições é chamado de Soerser-Sonntag. A entrada é franca e há vários shows. É uma delícia, principalmente quando o tempo ajuda - e hoje ajudou bastante - e faz um solzinho.
Estas são as fotos do nosso passeio de hoje. Houveram várias demonstrações, cada uma mais linda do que a outra, inclusive um show com aves de rapina. O que mais me impressionou foi a demonstração sobre o uso de cavalos em terapias com crianças e adultos deficientes, pena que na hora eu estava sentadinha, longe demais para tirar fotos decentes.
30 junho 2007
Aldi
Existe na Alemanha uma rede de supermercados chamada Aldi, que detém cerca de 40% do mercado de alimentos no país.
Eu adoro o Aldi, os produtos são de ótima qualidade e baratos. Eu também gosto do Lidl, viu Keiki, principalmente agora que eles estão vendendo bastante produtos orgânicos!
O que eu acho interessante é que o supermercado realmente não tem luxo. Os produtos são expostos em suas caixas e paletas, sem estantes, sem requintes, parecendo-se muito com os supermercados populares no Brasil.
Hoje eu estava com o marido num dos Aldis da cidade e encontramos com um médico, colega de time dele (eles jogam hockey de campo juntos), que é chefe da emergência num hospital, ou seja, o cara estava lá com seu Rolex no pulso e um suéter da Pólo, comprando num supermercado popular. Eu acho isso tão engraçado. Não existe estigma, você pode ser podre de rico e fazer compra no Aldi, que ninguém vai olhar de soslaio ou mesmo falar mal de você.
Nestas horas eu penso no Brasil e me pergunto: Qual a pessoa de classe média, e mesmo classe alta, iria fazer compras num supermercado popular no meu país de origem? Quando será que o brasileiro deixará de se definir pelo que ele tem, passando a se definir pelo que ele é? Será que sou utópica e sonhadora demais?
Eu adoro o Aldi, os produtos são de ótima qualidade e baratos. Eu também gosto do Lidl, viu Keiki, principalmente agora que eles estão vendendo bastante produtos orgânicos!
O que eu acho interessante é que o supermercado realmente não tem luxo. Os produtos são expostos em suas caixas e paletas, sem estantes, sem requintes, parecendo-se muito com os supermercados populares no Brasil.
Hoje eu estava com o marido num dos Aldis da cidade e encontramos com um médico, colega de time dele (eles jogam hockey de campo juntos), que é chefe da emergência num hospital, ou seja, o cara estava lá com seu Rolex no pulso e um suéter da Pólo, comprando num supermercado popular. Eu acho isso tão engraçado. Não existe estigma, você pode ser podre de rico e fazer compra no Aldi, que ninguém vai olhar de soslaio ou mesmo falar mal de você.
Nestas horas eu penso no Brasil e me pergunto: Qual a pessoa de classe média, e mesmo classe alta, iria fazer compras num supermercado popular no meu país de origem? Quando será que o brasileiro deixará de se definir pelo que ele tem, passando a se definir pelo que ele é? Será que sou utópica e sonhadora demais?
29 junho 2007
corrigindo
Meus sogros estavam na Dordogne - eu escrevi errado. Reclamaram que o tempo lá também estava ruim e nem deu para aproveitar direito. Mas eles trouxeram dois presentes para mim:
1 litro Oléo de nozes do "Moulin de la Tour" - o link é em inglês. Vou me deliciar nas saladas!
1 vidro com Patê de fois gras d'oie - para eu me apreciar depois que parir! Nesta hora, meu lado ecológico vai pro bé-lé-léu. Eu adoro fois gras fresco, mas na falta me serve o patê.
Prefiro comer pouco, porém bem! Nunca esquecerei de uma entrada que comi em Berlaimont, um vilarejo na França, que continha:
um pedaço de fois gras frito,
duas mini torradas com manteiga com trufas,
molho de cogumelos morille frescos (morchella esculenta),
um ovo frito povilhado com uma colher de chá de caviar
e uma folha de alface e alguns tomates cerejas para dar cor!
Até hoje eu sonho comendo neste mesmo restaurante.
1 litro Oléo de nozes do "Moulin de la Tour" - o link é em inglês. Vou me deliciar nas saladas!
1 vidro com Patê de fois gras d'oie - para eu me apreciar depois que parir! Nesta hora, meu lado ecológico vai pro bé-lé-léu. Eu adoro fois gras fresco, mas na falta me serve o patê.
Prefiro comer pouco, porém bem! Nunca esquecerei de uma entrada que comi em Berlaimont, um vilarejo na França, que continha:
um pedaço de fois gras frito,
duas mini torradas com manteiga com trufas,
molho de cogumelos morille frescos (morchella esculenta),
um ovo frito povilhado com uma colher de chá de caviar
e uma folha de alface e alguns tomates cerejas para dar cor!
Até hoje eu sonho comendo neste mesmo restaurante.
esperando o tempo passar
Li no blog da Fer sobre um creme com mel e lavanda para comer com figos.
Ontem eu fui á cidade com Sônia resolver umas coisitas. Aproveitamos a feira e compramos mirtilos, groselhas e framboesas, já que figos aqui custam os olhos da cara.
Fiz um creme com mel, flores de lavanda (alfazema) frescas picadas, queijo-fresco light e iogurte desnatado, no estilo da receita da Fer.
Ficou tudo uma delícia. Nem deu tempo de tirar foto.
---
Comprei também pêssegos silvestres (pêche plate). Eu conheci estas frutas em Mallorca e adorei. Eles não tem boa aparência, mas o perfume é suave e o sabor é divinamente maravilhoso! Dizem que fica uma delícia se servidos com xarope de verbena - mas verbena causa contrações, então está fora do meu cardápio atual.
Não hesitem em comprá-los!


42,9 Kcal por 100 g, viu Cissinha!!!!!!!!!!!!!
---
Estive com meu médico hoje às 13 horas. Fiz CTG e ultrasonografia. Está tudo em ordem. Peguei minha guia para o hospital e, espero, minha última receita de Clexane. Deixei uma amostra de sangue, cujo resultado terei semana que vem. E ri muito:
A atendente não conseguia tirar sangue. Me furou duas vezes e ficou toda nervosa. Eu tentava acalmá-la. E ele na porta, ouvindo tudo e sorrindo, mas nós não sabíamos. Daí ela disse que iria chamá-lo e ele retrucou: Não precisa, estou aqui observando a Frau H. tentando lhe acalmar, acho que você deve algo a ela. E lá vem ela com amostras da Weleda pra mim.
---
Meu calhambeque passou na inspeção do TÜV. Quando falamos aqui: meu carro tem Tuff (TÜV), queremos dizer que ele tem uma plaqueta de vistoria. Esta é feita de 2 em 2 anos e junto com ela deve ser feita uma vistoria dos gases emitidos pelo carro. Após as duas vistorias, o carro receberá duas plaquetas, atrás e na frente, com as datas das próximas vistorias. A vistoria é feita por técnicos e o laudo é concedido por um engenheiro responsável. Só havia uma lâmpada, que deveria ser trocada. Aproveitei que não vou dirigir e pedi para trocar a correia dentada do motor, que deveria ser trocada daqui a 1000 Km rodados. Mas sei lá se eu irei pensar nisso depois que o neném nascer? Agora me custará 90 Euros, além claro dos 70 Euros da vistoria e com certeza uns 4 Euros pela lâmpada. Mas se a tal correia dentada partisse, meu motor iria pro brejo!
---
Meus sogros acabam de ligar e estarão passando aqui daqui a pouco. Eles estão retornando de uma semana de férias na França, onde eles estavam passeando de bicicleta às margens do rio Rhône - acho que foi o Rhône. Vamos comer uma pizza no italiano aqui perto de casa.
Ontem eu fui á cidade com Sônia resolver umas coisitas. Aproveitamos a feira e compramos mirtilos, groselhas e framboesas, já que figos aqui custam os olhos da cara.
Fiz um creme com mel, flores de lavanda (alfazema) frescas picadas, queijo-fresco light e iogurte desnatado, no estilo da receita da Fer.
Ficou tudo uma delícia. Nem deu tempo de tirar foto.
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Comprei também pêssegos silvestres (pêche plate). Eu conheci estas frutas em Mallorca e adorei. Eles não tem boa aparência, mas o perfume é suave e o sabor é divinamente maravilhoso! Dizem que fica uma delícia se servidos com xarope de verbena - mas verbena causa contrações, então está fora do meu cardápio atual.
Não hesitem em comprá-los!


42,9 Kcal por 100 g, viu Cissinha!!!!!!!!!!!!!
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Estive com meu médico hoje às 13 horas. Fiz CTG e ultrasonografia. Está tudo em ordem. Peguei minha guia para o hospital e, espero, minha última receita de Clexane. Deixei uma amostra de sangue, cujo resultado terei semana que vem. E ri muito:
A atendente não conseguia tirar sangue. Me furou duas vezes e ficou toda nervosa. Eu tentava acalmá-la. E ele na porta, ouvindo tudo e sorrindo, mas nós não sabíamos. Daí ela disse que iria chamá-lo e ele retrucou: Não precisa, estou aqui observando a Frau H. tentando lhe acalmar, acho que você deve algo a ela. E lá vem ela com amostras da Weleda pra mim.
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Meu calhambeque passou na inspeção do TÜV. Quando falamos aqui: meu carro tem Tuff (TÜV), queremos dizer que ele tem uma plaqueta de vistoria. Esta é feita de 2 em 2 anos e junto com ela deve ser feita uma vistoria dos gases emitidos pelo carro. Após as duas vistorias, o carro receberá duas plaquetas, atrás e na frente, com as datas das próximas vistorias. A vistoria é feita por técnicos e o laudo é concedido por um engenheiro responsável. Só havia uma lâmpada, que deveria ser trocada. Aproveitei que não vou dirigir e pedi para trocar a correia dentada do motor, que deveria ser trocada daqui a 1000 Km rodados. Mas sei lá se eu irei pensar nisso depois que o neném nascer? Agora me custará 90 Euros, além claro dos 70 Euros da vistoria e com certeza uns 4 Euros pela lâmpada. Mas se a tal correia dentada partisse, meu motor iria pro brejo!
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Meus sogros acabam de ligar e estarão passando aqui daqui a pouco. Eles estão retornando de uma semana de férias na França, onde eles estavam passeando de bicicleta às margens do rio Rhône - acho que foi o Rhône. Vamos comer uma pizza no italiano aqui perto de casa.
28 junho 2007
A receita do bolo de aipim
Aipim: s. m., Bot., planta euforbiácea cujas raízes fornecem uma espécie de mandioca doce.
A origem do nome mandioca (manioca) seria de uma lenda Tupinambá sobre a deusa Mani, de pele branca, que encontrou sua morada (oca) na raiz desta planta.
Aipim, porque na minha terra, quem comer mandioca morre, pois mandioca-brava contém ácido cianídrico. Rsrsrs
Bolo de de aipim da Sônia
400 g de aipim ralado - descongele
250 g de farinha de trigo
3 ovos médios
3 colheres de sopa (cheias) de manteiga
1 1/2 cl. de sopa (cheia) de queijo parmesão ralado
200 ml de leite de coco - para a massa
100 ml de leite de coco - para regar o bolo durante o cozimento
100 g de coco fresco ralado (80 g para a massa e 20 g para bater com o leite de coco para regar o bolo!)
480 g de açúcar (50 g para usar com o leite de coco e coco - bater no liquidificador - para regar o bolo!)
1 pitada de sal
2 colheres de chá de fermento
Bata manteiga com o açúcar, acrescente os ovos e bata bem. E depois vá adicionando os outros ingredientes (farinha peneirada, queijo ralado e massa de aipim, nesta ordem!) e continue batendo. Por último acrescente o fermento também peneirado!
Asse numa forma untada e povilhada com farinha de trigo, 160° por ca. de 1 hora. Assim que começar a assar por cima, regue com um pouco da mistura de leite de coco! Isso deve ser feito várias vezes.
O bolo precisa ser cozido! Faca o teste do palito - o palito não sai limpo, mas também não sai massa grudada nele!
A origem do nome mandioca (manioca) seria de uma lenda Tupinambá sobre a deusa Mani, de pele branca, que encontrou sua morada (oca) na raiz desta planta.
Aipim, porque na minha terra, quem comer mandioca morre, pois mandioca-brava contém ácido cianídrico. Rsrsrs
Bolo de de aipim da Sônia
400 g de aipim ralado - descongele
250 g de farinha de trigo
3 ovos médios
3 colheres de sopa (cheias) de manteiga
1 1/2 cl. de sopa (cheia) de queijo parmesão ralado
200 ml de leite de coco - para a massa
100 ml de leite de coco - para regar o bolo durante o cozimento
100 g de coco fresco ralado (80 g para a massa e 20 g para bater com o leite de coco para regar o bolo!)
480 g de açúcar (50 g para usar com o leite de coco e coco - bater no liquidificador - para regar o bolo!)
1 pitada de sal
2 colheres de chá de fermento
Bata manteiga com o açúcar, acrescente os ovos e bata bem. E depois vá adicionando os outros ingredientes (farinha peneirada, queijo ralado e massa de aipim, nesta ordem!) e continue batendo. Por último acrescente o fermento também peneirado!
Asse numa forma untada e povilhada com farinha de trigo, 160° por ca. de 1 hora. Assim que começar a assar por cima, regue com um pouco da mistura de leite de coco! Isso deve ser feito várias vezes.
O bolo precisa ser cozido! Faca o teste do palito - o palito não sai limpo, mas também não sai massa grudada nele!
26 junho 2007
o hobby
errare humanum est...
Eu sou humana e cometo erros. Cometo também erros de ortografia.
Mas não falo dos lápsos e dos erros causados por usar mais alemão, ou qualquer outra língua, do que português. Nem daqueles causados por falta de treino. Tem um corretor integrado no Firefox. Dá para dar trégua e escrever direito? Ou pelo menos consultar o dicionário em caso de dúvida?
Li no orkut, na comunidade "mães brasileiras na Alemanha" :
O que levar na sua mala para o hospital:
# 1 Hobby
Grávidas do meu Brasil-varonil, que hobby levar?
Qual o hobby que eu vou levar junto comigo para parir, peloamordeDeus? Apetrechos de pintura? Material para fabricar bijuterias? Linha e tela para bordar? Para fazer que horas? Entre uma contração e outra? Ou durante a amamentação? Ou quando o neném chorar?
Aí, o nome é robe, vem do francês e significa VESTIDO!
E essas pérolas estão aí, no preto-e-branco do monitor, gravadas para a eternidade da internet.
Diz uma amiga que palavras tem muito peso. Eu acredito. E existem palavras que doem, no ouvido ou nos olhos, mesmo sem machucar o coração:
vrido, essa é mais difícil de falar do que a palavra correta
taúba, só mesmo desculpada na música de Adoniram Barbosa
menas, é menos, nunca no feminino. Pô, menas doí mesmo; é um absurdo linguístico!
praca - tem um site legal com placas erradas aqui
Divirtam-se! Enquanto isto, eu vou tentar achar um hobby para levar pro hospital semana que vem.
Eu sou humana e cometo erros. Cometo também erros de ortografia.
Mas não falo dos lápsos e dos erros causados por usar mais alemão, ou qualquer outra língua, do que português. Nem daqueles causados por falta de treino. Tem um corretor integrado no Firefox. Dá para dar trégua e escrever direito? Ou pelo menos consultar o dicionário em caso de dúvida?
Li no orkut, na comunidade "mães brasileiras na Alemanha" :
O que levar na sua mala para o hospital:
# 1 Hobby
Grávidas do meu Brasil-varonil, que hobby levar?
Qual o hobby que eu vou levar junto comigo para parir, peloamordeDeus? Apetrechos de pintura? Material para fabricar bijuterias? Linha e tela para bordar? Para fazer que horas? Entre uma contração e outra? Ou durante a amamentação? Ou quando o neném chorar?
Aí, o nome é robe, vem do francês e significa VESTIDO!
E essas pérolas estão aí, no preto-e-branco do monitor, gravadas para a eternidade da internet.
Diz uma amiga que palavras tem muito peso. Eu acredito. E existem palavras que doem, no ouvido ou nos olhos, mesmo sem machucar o coração:
vrido, essa é mais difícil de falar do que a palavra correta
taúba, só mesmo desculpada na música de Adoniram Barbosa
menas, é menos, nunca no feminino. Pô, menas doí mesmo; é um absurdo linguístico!
praca - tem um site legal com placas erradas aqui
Divirtam-se! Enquanto isto, eu vou tentar achar um hobby para levar pro hospital semana que vem.
comendo e arrumando
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Duas pessoas já me perguntaram hoje se estou apreensiva com o parto. Não, apesar de temer algumas coisas, não estou apreensiva. Acho que, quando eu estiver na sala de cirurgia, talvez a coisa mude!
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Diz a tradição do feng-shui que você deve sempre livrar sua casa de lixo, pois uma casa arrumada traz boas energias. O lixo representa a ausência de energia, o fim de ciclo, o resto, o inútil!
Por estar cheia de energia, eu ontem passei boa parte do dia arrumando as gavetas de dois armários que temos. Um multi-gavetas, estilo Bisley - eu gostaria muito de ter um original amarelo - e um outro de madeira, típico da Ikea. Joguei um monte de coisas fora, organizei envelopes e material de escritório, dando baixa e deixando tudo organizado. Até canetas-tinteiro do marido eu lavei. rsrs
Hoje Sônia e eu demos uma arrumada legal no porão. Demos não, ela tirava as coisas das caixas e eu dizia: guarda aqui, coloca ali, joga fora. Ainda tem muita coisa para arrumar. Mas agora necessitamos da ajuda do meu marido, que deverá comprar umas estantes para continuarmos a "arrumação".
Esta atitude já deve ser o sinal de "prepare o ninho, que estou chegando".
25 junho 2007
O quarto
Estes são os motivos que ficaram na reta final. Ganhou o "Baby Zoo". O problema agora é encontrar tudo o que eu quero.
Tem adesivos para a parede e móveis, cortina, tapete, toalha, protetor de berço, quadrinhos em tela e cabide. Tudo muito doce!
Vamos ter que dar uma olhada na Holanda e na Bélgica. Ainda bem que eu vivo na fronteira! Pois aqui na Alemanha eu só vi os adesivos em lojas online. Nas duas lojas de artigos para bebê que eu fui só haviam coisas com motivos da Disney (nheca de merchandising!).
24 junho 2007
Viva São João
Estive no Asian Food, um chinês-tem-de-tudo, pois grávida tem desejos até na hora do neném nascer. E nada como um bolo de aipim para comemorar o São João:
Sem muito trabalho pois o aipim já vem ralado. É só descongelar!
Globalizacão: manteiga irlandesa, ovos holandeses, queijo italiano (na tuperware americana), coco fresco ralado do Vietnã e leite de coco da Tailândia - nem penso na poluição que os aviões causaram para trazer estes produtos até aqui!
E o cheiro do bolo espalha-se pela casa, trazendo lembranças da infância.
A pressa para experimentar é tanta, mas tem que esperar esfriar, pois quente ele fica grudado na forma!
Sem muito trabalho pois o aipim já vem ralado. É só descongelar!
Globalizacão: manteiga irlandesa, ovos holandeses, queijo italiano (na tuperware americana), coco fresco ralado do Vietnã e leite de coco da Tailândia - nem penso na poluição que os aviões causaram para trazer estes produtos até aqui!
E o cheiro do bolo espalha-se pela casa, trazendo lembranças da infância.
A pressa para experimentar é tanta, mas tem que esperar esfriar, pois quente ele fica grudado na forma!
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