17 setembro 2011

o dia do artesao 2011 - com fotos?

Nos fins de semana no verão sempre tem um evento acontecendo na cidade. Há duas semanas foi o Dia do Artesão, que deveria chamar o fim de semana do artesão, já que são dois dias de exposição no centro da cidade. Uma amiga iria expor seus trabalhos na Annastrasse, que é a rua mais antiga da cidade. E marido e filha resolveram me acompanhar. Estacionamos bem perto da Annastrasse e logo dei de cara com essa beleza abaixo. Se eu casar na igreja, quero um carro assim, moderno e cheio de estilo.

Um cheiro bom de pizza assada no forno de lenha pairava no ar. Era um pessoal bem moderno, que constrói fornos de alvenaria, com endereço na web e tudo o mais. A pizza era fininha e parecia gostosa, não comi pois havíamos tomado café da manhã.

Aê o rasta, construtor de fornos e garçon de pizza :

Essa abaixo é a Julia, minha amiga e vizinha, com seus colares e tigelas de papel marchê e prata. Eu passei na casa dela uma semana antes e ajudei a carregar um monte de tigela de papel marchê por três lances de escada. Canso só de pensar. Mas ela é amiga de verdade, muito divertida e prestativa.

Dêem uma olhada no espelho... Aqui eu pirei, tudo imitando comida, docinhos, bolinhos, etcs.

Parecem bolinhos, né?

E aqui as jujubas - gente, preciso de uma máquina nova urgente.

Vi um conjunto de band-aid com pedrinhas Svarovski, mas a foto ficou escura - Aninha, lembrei de ti, glamour puro.

Isso é uma roca. Lembram da estória da bela adormecida? Na que eu tinha, ela furava o dedo numa roca. Vi ao vivo aqui na Europa e tenho uma amiga, especialista em computação, administradora de SAP, doutora em matemática, linda, loira e magra (!), que faz sua própria lã, como passatempo, numa roca antigona. Ela diz que é altamente calmante, que tomar uma taca de vinho tinto e fiar é como passar 3 dias meditando num Ashran indiano - algo que nem eu nem ela fizemos para saber como é, mas acho que eu gostaria de viver esse lado "comer-rezar-e-amar".

A Annastrasse acaba na praça da catedral. Aqui, perto da igreja mais importante de Aachen, tem lojas especializadas em hábitos religiosos, ornamentos para igrejas e velas. E eu adoro a loja de velas. Olhem a deco.
 
Sem falar que eles tem velas de todas as cores, sempre de acordo com a estação do ano, velas personalizadas, velas de todas as formas e é tudo feito aqui pertinho. Eu comprei umas velas lá e elas estavam "pingando". Liguei e perguntei se era normal. A mulher da loja mandou eu passar lá e me deu um conjunto novo de velas, sem pedir recibo - ó-paí-ó, vamos aprender lojistas brasileiros, nem precisei chamar o "SAC" rsrsrs

E esse aqui é o estande de minha ceramista predileta.

Ela vem todos os anos para o dia do Artesão. Eu tentei chegar cedo pois eu queria comprar umas tigelas dela com a estampa de papoula - como na caneca.
 
Para o meu azar todas as tigelas estavam vendidas, todos os pratos grandes vendidos. Uma pena para mim e uma sorte para ela. Fiquei feliz, pois ela faz um trabalho muito bonito. É uma cerâmica fina, quase como porcelana.

Uma conhecida minha, també quase vizinha, estava expondo suas artes. Ela faz uns trabalhos com vidro, arame e pedras, tudo para o jardim. O marido dela estudou paisagismo e juntos eles fazem jardins maravilhosos, mas nada ao alcance do meu bolso, infelizmente.
 
Clara queria um ladrilho assim.... nem imagino o porque.



Na volta eu quase bati de cara com a formiga gigante, também em cerâmica. Achei feio, tosco, sem charme.

E essas duas mulheres são da loja de lã mais antiga da cidade. Tricotando de verdade, pois as duas não paravam de cochichar enquanto tricotavam.


Também, era cada figura que passava, que eu vou te contar, heim!

Só ao voltar para o carro é que notei a vitrine com coisinhas recicladas. Não sei dizer que gostei, mas fotografei para registrar. Mesa feita de tampo de vidro e potes de iogurte:



Cinzeiros de latinha - isso é bem hippie, né? Prefiro outros objetos a cinzeiro. Isso foi um pedacinho do dia do Artesão. O calor era intenso e decidimos tomar um sorvete e dar um passeio de bicicleta para "arejar". Se clicar na foto, ela amplia, viu! E neste fim de semana tem o September Special, com música ao vivo em várias partes do centro.
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12 setembro 2011

zum Kotzen

Uma expressão alema muito usada por que está enervado com alguma coisa é "Das ist zum Kotzen", que significa algo como "isso me dá ânsias".

Sábado pela manhã eu acordei cedo, fiz uma torta salgada e dois bolos de limão. A torta foi para a festa a la Saturday Night Fever, da Priscila, que mora um pouco longe de Aachen. Um bolo para o café na casa da Ana (linda e maravilhosa, poderosa e forte Ana), que me deu abrigo, cama, comida, chá e carinho, e um bolo, que eu recheei e cobri com ganache, para o aniversário da minha sogra no domingo.

Depois de limpar a cozinha, arrumei minha mala, coloquei gasolina no carro e me mandei para Frankfurt. A viagem foi tranqüila, a festa da Priscila foi maravilhosa e a noite rejuvenescedora na casa da Ana, me deixaram preparada para pegar a estrada de volta domingo.

Tudo começou bem, bem mal mesmo. O primeiro engarrafamento foi no Wiesbadener Kreuz, só uns 6 km, por causa de um acidente. Mal o engarrafamento acabou, a chuva forte castigou a estrada. Gente, eu nunca vi chuva assim. Até os carrões potentes, tipo BMWs, Porsches, Audis e Phaetons, estavam na pista da direita, a não mais de 60 km/h. No rádio de 5 em 5 minutos vinha o aviso: cuidado, perigo de aquaplanagem. Vim rezando, pedindo a Deus para chegar salva em casa. Por duas vezes eu tive a impressão que meu carro estava nadando mesmo. No acostamento eu via carros e mais carros, quebrados, sob a chuva forte e meu coração acelerava, querendo chegar logo em casa. O tempo todo eu pensava em parar, mas algo me dizia para eu seguir em frente.

Depois de quase 4 horas dirigindo, faltando somente 10 km para chegar em casa, vejo as luzes do carro de policia e penso: por favor, nenhum engarramento. Mas meu pedido não foi atendido. O cruzamento de 3 Autobahn estava totalmente fechado. Parei o carro e pimba. Pensei que tivesse enganchado o sapato no pedal. A embreagem não voltou. O pedal não mostrava pressão nenhuma. Potaqueparilis, não dava para ser depois de eu chegar em casa?

 A sorte é que eu estava a uns 5 metros de uma parada de emergência. Baixei o vidro e acenei para o rapaz que estava ao lado. Ele não conversou, ligou o pisca-pisca, saiu de seu lindo BMW 5, branco,  e me empurrou até a parada. Peguei o celular e pimba 2, estava totalmente descarregado.

Como boa motorista, coloquei meu colete de emergência, armei o triângulo, coloquei no lugar e acenei para o primeiro carro que passou. A motorista parou e o pai dela, que estava no banco do carona, me emprestou o celular para eu falar com Peter, meu marido. O marido ligou para o guincho e eu fiquei lá, esperando, sem celular, desesperada. As lágrimas de estresse escorriam por meu rosto. A sensação no estômago era de queimação. A situacão era realmente "zum Kotzen".

Um carro da polícia passou e ofereceu ajuda, mas eu sabia que meu marido já tinha ligado para o guincho.
Eles ainda voltaram duas vezes para ver se estava tudo em ordem, pois eles estavam patrulhando a área. Depois de uns 30 minutos, Peter chegou, eu chorei mais um pouco e me acalmei.

No final, carro guinchado até a oficina, o conserto não vai ser tão caro e eu estou aqui, sã e salva no aconchego do meu lar.

Mas que foi Zum Kotzen, foi SIM!

08 setembro 2011

água na cidade

Calma! Tem chovido muito, sim. A água da chuva não trouxe problemas para mim. Porém, eu estou acostumada a beber água da torneira na minha casa. Eu compro água mineral para o marido e convidados. O meu normal é beber da torneira, sem aditivos ou gás.

Aqui no escritório a água tem um gosto totalmente diferente, pesado, como se tivesse gás. O prédio é novo e a tubulacao é nova. Mas a água difere da água do meu bairro.

Sim, água difere no sabor, no cheiro e na composição química. E sim, eu sinto o gosto da água.

A "minha água" em casa tem dureza levíssima, com 0 a 1,5 mmol/l. Ou seja 0 bis 8,4 °dH em graus alemães. Sendo que a última analyse da Embasa, ups, digo Stawag (cia de água, luz e saneamento da cidade) indica que a água do meu bairro está com 0 a 0,3 mmol/l, ou seja quase imperceptível.

A do escritório tem 1,5 a 2,5 mmol/l. E minhas papilas degustativas percebem isso.

Vou trazer água de casa e ponto. Pelo menos eu venho de bicicleta ou de ônibus, então não vai contar muito no balanço ecológico.


07 setembro 2011

dodoizinha? um sorvete talvez resolva

Existe um comportamento muito comum em pais, que é falar algo como por exemplo "isso não é nada, já passou", quando uma criança se machuca.

Ontem Clara foi ao pediatra tomar sua segunda dose da vacina contra hepatite A. Não faz parte do calendário, mas foi recomendado por irmos frequentemente ao Brasil e outros países.

Pela manhã, antes de sairmos de casa, eu conversei com ela e expliquei que iria doer. Mas que era uma dor necessária, melhor do que ficar dodoí. Na hora que eu a peguei na escolinha, ela começou a choramingar, com medo da injeção. E eu continuei a ladainha, que ia doer, mas que ia passar rápido, que era melhor do que ela ficar dodoí e que depois do médico nós poderíamos tomar um sorvete. Ao que ela simplesmente respondeu: OK.

Essa menininha, loirinha, que é meu bebezinho, agora menininha forte, entrou no consultório de cabeça erguida e só chorou quando a médica aplicou a injeção. Depois saiu mancando, pois a perna estava doendo muito e o band-aid incomodava - palavras dela!

E eu fiquei chorando por dentro, por ela ter sentido dor. Coisa de mãe besta, que tem as torneiras dos olhos abertas e sente a dor da filha.

Mas deixa eu falar o porque ser tão realista e falar sobre dor com a Clara: Foi algo que eu aprendi num seminário dado pela polícia de prevenção contra abusos de menores aqui em Aachen. A policial explicou que se você sempre diz para a criança que aquela dor que ela sente ao bater a cabeça, ao brigar com o irmão, ao se cortar, ou o que quer que seja, não é nada. A criança se acostumará que dor é algo normal e a mãe/pai não dá muita importância, por isso ela provavelmente se fechará, caso seja perturbada.

Melhor é dizer para a criança, que você entende a dor, mas que você fará o possível para ajudá-la, seja com um sopro, um beijo, um band-aid bonito, uma bolinha homeopática de arnica, um ursinho de jujuba em cima do machucado ou o que sua criatividade mandar. Caso ela um dia necessite de ajuda por ser molestada, ela confiará que você (pai/mãe/dinda/irma/vó/vô) está aqui para melhorar a vida dela.

Ao sair do consultório nós fomos na Ikea, com direito a sorvete, torta e velas cor-de-rosa para o quarto dela.




05 setembro 2011

continuando as férias...

Minha cidade natal chama-se Alagoinhas. Acho que antigamente Alagoinhas era um pântano. Berlim também foi um pântano um dia. E ainda existe água por todos os lados.

Aproveitamos um dia sem chuva para alugar um barco em Werder, a região das frutas no estado de Brandenburgo. Mas precisava ser um barco com este nome, sério meu?


Clara e eu nos divertíamos, enquanto o papai pilotava.

Pontes e táxi naval - existe isso lá no Norte do Brasil, penso eu.


Esse Fusca é um pedalinho. Haja perna para mover esse trambolho na água, mas que é bonitinho, isso ele é, né?

Nossa aprendiz de marinheiro tentando ler o mapa (de cabeça para baixo!)

E isso é um Hausboot - chamam de Penichette, uma embarcação projetada para navegação fluvial que tem o conforto de um trailer. Existem várias de todas as formas e cores nos rios de Berlin e arredores.


E esse barco chamado Havelwunder foi pintado por um artista local. Dá um ar bonito ao ancoradouro da ilha de Werder, eu acho.


Paramos num supermercado e o jantar foi espaguete com legumes.

Depois de uma boa noite de sono, acordamos com o barulho da chuva. Depois de um demorado café da manhã, tentamos conseguir ingressos para um show infantil num teatro, mas o mesmo já estava esgotado.

Decidimos ir ao Museu Guggenheim de Berlin. Lá haviam vídeo-instalações, inclusive algumas sobre as quais eu tinha lido. Clara ficou quietinha vendo coisas surreais, como a imitação das crateras da lua numa praia holandesa.



A chuva deu uma parada ao saímos do museu. Passamos num restaurante indiano, cuja comida deixou muito a desejar e resolvemos coroar o final do dia com um mega, super-gostoso, fantástico sorvete na Vanille & Marille.

Duas bolas: uma de manga e uma de caramel beurre-salé, num copinho, por favor, com colher cor-de-rosa e sem biscoito.


Existe uma filial em Steglitz, o bairro onde estávamos. E é tudo rosa-pink, diria Beatriz.

Acordamos mais uma vez com chuva. Mas a meteorologia indicava chuvas esparsas e resolvemos arriscar a fazer um passeio de bicicleta.

Clara estava totalmente sem vontade e como o caminho era por uma estrada, Peter cedeu e colocou ela no Trailgator. Vejam as nuvens, negras que pouco depois nos fariam parar e serem esganados por mosquitos terroristas, embaixo das frondosas árvores, que nos davam um pouco de proteção.

Flores, ervas, géleias e verduras em cima da mesinha, preços escritos num papel qualquer e um potinho para o dinheiro - imaginar isso no Brasil é piada, né?

A região do norte de Brandenburgo fazia, geologicamente falando, parte da geleira escandinava. As pedras vieram rolando do pólo norte até lá. A arquitetura local usa muitas pedras. Muitas vezes nos lembrava a Suécia.


E vamos aproveitar que estiou e dar uma esticadinha nas pernas:

O pôr do sol neste dia foi deslumbrante. A foto não faz jus.



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28 agosto 2011

minha mae dizia...

Minha mamãe sempre dizia para os filhos:

_ Isso é conversa de adulto. Vá brincar.

E se a gente perturbava e ficava rondando ouvindo a conversa, ela dizia: Nada de comentários lá fora, heim!

Agora eu sei porque:

Daí que estávamos Clara e eu num ponto de ônibus, quando um carro parou e nos ofereceu carona. Era um casal amigo, que tem uma filha da idade de Clara.

Mal entramos, a mãe da menininha falou:

_ Nós fomos ao médico, fazer o exame de rotina dos 4 anos.

*aqui na Alemanha existem vários exames de rotina para crianças

Ao que o pai da menininha diz:


_ Imagina, que o médico disse que nossa filha está gorda?!


Eu fiz cara de espanto e disse: _ É mesmo?


E  o pai adiciona: _ Ele está louco. Minha filha não está gorda. Ela é fortinha.


Na minha cabeça passavam as cenas vividas na escolinha e parquinho, onde a menininha se enchia de salgadinhos, docinhos e biscoitos. Porém eu estou aprendendo a ficar calada e nada disse.


Ao chegarmos em casa, meu marido já tinha voltado do trabalho e nos recebeu na porta (acho que ele queria dar uma olhadinha na escada nova ;-) ). Clara mal entrou, falou:

_ Papai, o médico disse que "fulaninha" está gorda. Mas, sabe papai, ela só come salgadinho. Eu como de tudo, né?

E eu agradeci em pensamento, por ela não ter falado nada no carro

26 agosto 2011

a escada

Nossa escada, na entrada da casa, estava totalmente destruída pela neve e chuva.

Nós contratamos uma firma especializada em cálcario azul, que na verdade é acinzentado. E foram duas semanas de trabalho árduo.

Primeiro eles tiraram a parte da escada feita em alvenaria.



Olhem o estrago! Pensávamos que uma parte maior seria aproveitada, oh céus!!!!

Pausa para o café!



O filho do chefe trabalha, pesado! O loiro chama-se Nico e sempre, com muita educação, pedia um café.






Aproveitamos a parte de pedra, pois tirar seria um abacaxi. Cada degrau pesa ca. de 300 kg.

 

 

Os novos degraus pesam ca. de 70 kg

 

 

 

E antes de ir embora, eles arrumam tudo. Ferramentas e roupas ficam organizadas.



O passeio limpo e a fita de proteção evita acidentes:



 

Essa era a escada provisória:

 

 

E aqui a escada, quase pronta. Falta o corrimão  e refazer esse tiquinho de jardim:





E refazer a entrada da garagem, que ficou destoante. E o pátio, que também está se desmoronando. E, e, e... quem tem casa sabe, tem sempre uma reforma a ser feita. Agora mãe, eu entendo!