09 março 2007

Casamento de Magda e Jorge

Na noite anterior ao casamento de minha irmã Magda, do segundo casamento é claro! diria ela, Peter e eu fomos jantar no Sorriso da Dadá no Pelourinho. Estavámos conversando que seria um casamento muito simples, com uma cerimônia sem muito romantismo, já que ela iria casar no civil no fórum de Salvador. Nós, Peter e eu, também casamos só no civil. Tivemos porém várias surpresas e lindos detalhes românticos. A "juiza de paz" vestiu-se com trajes típicos da região de Sörmland. As sobrinhas de Peter, na época pequeninhas ainda, espalharam pétalas de rosas,que tinham sido colhidas no jardim dos meus sogros, na nossa saída. Minha prima declamou um soneto em português, meu sogro um em alemão e todos os convidados declamaram em conjunto um lindo texto em alemão e inglês. Estávamos a falar sobre como tinha sido romântico o nosso "casório", quando duas moças vestidas como mulheres da década de vinte, entraram no restaurante e começaram a cantar e declamar poesias. Foi um momento mágico e nós dois tivemos o mesmo pensamento naquele instante. Quando elas terminaram a performance, nós as chamamos e perguntamos o que elas faziam. Eram duas estudantes de teatro, vindas do interior, que faziam performances à noite para conseguir se manter na cidade. Como elas teriam tempo no dia seguinte, nós as contratamos e não falamos nada para ninguém. Elas foram ao fórum com roupas românticas e como Peter e eu as cumprimentamos, todos da família nos interrogaram, querendo saber quem eram as duas, mas nós conseguimos nos esvair. Magda e Jorge tinham acabado de assinar os papéis, quando uma delas - que estava sentada bem ao fundo (o casamento foi realizado na sala mor do fórum, onde não havia um único lugar vazio. Tinha gente acompanhando até no corredor. Ressalva: eles são advogados!) começou a cantar: Eu sei que vou te amar, por toda minha vida, eu vou te amar... com uma linda voz de soprano. Foi tão romântico e emocionante, até meu pai ficou emocionado.
O comentário de uma grande amiga e também advogada foi: Marcinha, para um casamento no fórum, ninguém traz lencinho. Olha só como minha maquiagem ficou!

Foi através destas duas lindas moças, que eu conheci Florbela Espanca. Este soneto é meu predileto. E foi declamado no casamento de Magda e Jorge, tornando-se parte do repertório de poesias por ele a ela declamadas.

clique na foto para ampliá-laFanatismo

Minh’alma, de sonhar-te, anda perdida
Meus olhos andam cegos de te ver !
Não és sequer a razão do meu viver,
Pois que tu és já toda a minha vida !

Não vejo nada assim enlouquecida ...
Passo no mundo, meu Amor, a ler
No misterioso livro do teu ser
A mesma história tantas vezes lida !

"Tudo no mundo é frágil, tudo passa ..."
Quando me dizem isto, toda a graça
Duma boca divina fala em mim !

E, olhos postos em ti, digo de rastros :
"Ah ! Podem voar mundos, morrer astros,
Que tu és como Deus : Princípio e Fim ! ..."

(p.s.: clique na foto para ampliá-la)

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