Outro dia eu estava conversando com Magda, minha irmã, que me disse ter aprendido comigo uma lição: Não se irritar com pequenas coisas. Disse-me que um dia ela estava irritada pois uma meia fina rasgou e eu falei: Bobagem, compra outra. E brincando: Ou você não tem mais cartão de crédito?
Ontem minha mãe me enviou um email, dos que eu não gosto muito de abrir, com um pps. A mensagem era a respeito dos 10% que podem fazer seu dia bom ou ruim. Apesar de ser um PPS daqueles bem típicos, eu abri, li e vi que na maioria das situações eu aplico o que estava escrito. Passei o dia sem mais pensar na mensagem.
Meu marido voltara ontem de viagem. Ele tinha passado a semana inteira fora. Eu sei que quando ele viaja assim, ao voltar ele quer comer um sanduíche, tomar um copo de leite, talvez comer um pedacinho de bolo e só. Não preciso me preocupar em preparar jantar para ele.
Mas eu estava com vontade de comer beringela à parmegiana. Tinha uma beringela linda, listrada, firme e grande, que comprei na fazendinha orgânica. Cortei em fatias finas, fritei na frigideira anti-aderente, coloquei num refratário untado com azeite, temperei, adicionei muzzarella, presunto, molho de tomate, queijo, coloquei uma camada de erva-doce também refogadinha. E por cima um resto de molho bolonhesa que estava sorrindo para mim na geladeira. Umas fatias de pecorino e parmesão por cima e o refratário foi ao forno.
Comi com salada de agrião e pão italiano. Clara comeu sem a salada. Mesmo assim, sobrou uma porção grande, que pensei comer no almoço hoje à tarde.
Bem, antes de colocar Clara para dormir, pedi para ele guardar tudo na geladeira - pausa: homem é assim, tem que pedir, pois falta o gen de percepção. Eles não vêem que a comida tem que ir para a geladeira, que o prato pode ser colocado na lava-loucas. - despausa.
Clara dormiu, entrei na net para bater papo com minha mãe e depois desci para fazer um chá. Resolvi comer um iogurte. Ao abrir a geladeira o refratário caiu. Bateu no meu pé e e espatifou-se em milhares de pedaços, espalhando comida na cozinha inteira.
Só escutei ele gritando: "Marcia, tudo bem?"
"Claro. Ainda bem que eu estava com minhas pantufas, acho que do contrário teria quebrado o pé."disse eu.
Ele desceu, viu o estrago, falou que ele provavelmente não pensou ao colocar o refratário numa posição, digamos, instável. E disse: "Deixe que eu limpo".
Fiz chá para nós dois, comemos uns biscoitos e só. Sem brigar, sem reclamar, sem confusão alguma.
O refratário era bonitinho, mas eu compro outro. A comida, bem, a comida deu dó, pois estava uma delícia, mas posso fazer outra. E minha pantufa já está limpinha outra vez.
Esses são os 10% que fazem a diferença. Não é passar a mão na cabeça. Isso eu não faco, prefiro comprar briga se necessário. Mas brigar no caso acima não mudaria em nada o fato do refratário ter caído. Ele reconheceu o erro, ajudou a limpar a cozinha e quem sabe ele presta mais atenção numa próxima vez.
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@Nunci: Lacunas do tipo: no inglês a descrição da patologia é melhor, há indicação de tratamento, em português não. Só para citar algumas.