Parece brincadeira, mas não é. Fabiola postou um comentário num
posting sobre minha volta para casa do hospital. E quase que eu vou pro hospital outra vez.
Clara adoeceu, mas eu resolvi seguir meu coração de mãe e optei por tratá-la em casa.
Tudo começou no domingo passado. O tal domingo fatídico com chuva e carro quebrado!
Clara acordou febril, mas nada que preocupasse o pai. Como ela tinha um convite para a festa de aniversário de um amigo do Kindergarten, o pai deu uma dose de antitérmico e ela saiu, serelepe e saltitante, para ver Benedikt - o tal amigo.
Depois da minha odisseia com o carro, pegamos Clara na festa e fomos jantar na casa dos meus sogros, que fica a 83 Km daqui. É rapidinho, é vapt-vupt, se meu marido estiver inspirado e a estrada livre, o percurso é feito em 45 minutos. Durante o jantar, ela não quis comer nada, do bolo ela comeu um tiquinho só. Eu percebi que a febre tinha voltado e dei antitérmico, pois ela estava chatinha, choramingando e reclamou de dor de cabeça.
De cara eu pensei: merda, essa menina está com uma virose. Mas ela dormiu bem e acordou disposta, alegre e tagarelante.
Na segunda pela manhã ela foi para o Kindergarten. Mais ou menos às 11 horas a professora ligou para meu celular pedindo para eu ir buscar Clara, que estava febril e reclamando de dor de cabeça. Virose, pensei eu.
Levei ao pediatra, que me aconselhou ficar em casa, dar-lhe líquidos e muito repouso. Na quarta-feira Clara continuava febril, na verdade a temperatura começou a oscilar entre 38 e 39,5, a falta de apetite era notável e ela estava sem ânimo para nada. A tosse estava cada vez mais forte, mas tosse é sintoma e esta tosse era seca, não-progressiva. Até aí eu estava calma e confiante, que o vírus iria sucumbir aos meus cuidados.
Durante a noite, ela suou muito. Meu marido e eu pensamos que ela acordaria bem. Infelizmente ela acordou febril e sua respiração estava como se ela tivesse bronquite asmática. Voltei correndo para a pediatra. Aquela era uma Clara anormal, que me deixou preocupada. Virose coisa nenhuma, isso é algo mais grave, diziam meus botões.
Primeiro a pediatra examinou os ouvidos e depois auscultou os pulmões. Até aí, tudo estava muito bem, obrigada. Mas de repente ela "viu" a respiração ofegante e pegou um oxímetro. A saturação de oxigênio estava em 86. A menina continuava linda, leve, loira, tagarela e, na verdade, ela estava com baixo oxigênio, pode? Pode, chama-se de compensação. A pediatra disse que seria aconselhável ir para um hospital.
Pensem num desespero pior do que a pane na Autobahn sem telefone, foi o meu. Pensei no hospital, no problema de infecção hospitalar, na comida de hospital, na falta de conforto e finquei o pé, disse que não iria sem antes testar a reação dela à nebulização. No hospital o tratamento seria: oxigênio, nebulização e antibiótico intravenoso. Em casa faltaria o oxigênio.
Clara tomou nebulização ali mesmo, na sala onde estávamos. O exame de sangue acusou uma leve infecção.
E a segunda medição com o oxímetro indicou uma melhora, o valor passou para 90, quando o ideal seria 95. Ninguém entendeu o exame de sangue, mas pode ser infecção por micoplasma, que causa a tal de "pneumonia atípica". Saí do consultório com prescrição para antibiótico, Salbutamol, Atrovent, NaCl, Ibuprofeno, a guia de internação e a recomendação de fazer mais uma nebulização em casa e voltar ao consultório depois de duas horas.
Dito e feito, retornamos depois de duas horas e o oxímetro mostrou 92, o que indica uma boa reação aos medicamentos.
Desde então estamos em casa, assistindo todos os DVDs possíveis, pintando mandalas, desenhando, jogando no iPad e tentando descansar. Enquanto Clara descansa, eu estou parecendo um zumbi, sem dormir, pois temos que fazer nebulização de 4 em 4 horas, mesmo durante a noite.
Hoje ela acordou rosadinha. A temperatura ainda continua na casa dos 38 e o apetite ainda está fraco.
Encontrei por acaso com o médico-chefe da emergência do hospital das clínicas hoje cedo no supermercado. Meu marido joga hóquei com ele e ao me ver, ele falou brincando:
- Êta que a noite foi boa, seu marido voltou cedo do jogo ontem, ele nem tomar cerveja com a gente tomou. E você pelo jeito não dormiu muito.
E deu aquela risada. A mulher dele deu-lhe uma cotovelada e mandou ele me tratar com mais respeito.
Quando eu disse que Clara estava em casa com pneumonia, ele me olhou sério e disse:
_ Sei que é exaustivo, mas foi a melhor coisa a fazer. Nós estamos com problemas de super-infecções, principalmente em pessoas com problemas respiratórios. Fique em casa com ela. Se ela precisar de oxigênio, me ligue.
E aqui estamos nós, firmes e fortes, para mais uma noite de enfermeira-mãe.
p.s. Eu já sei de cor as falas de Nemo, Barbie em Mermadia, Cars I, Sininho, Laura Stern na China, Barbie e as 12 Princesas Bailarinas. Eu me recuso a assistir Thomas a locomotiva, Bob the builder, Biene Maia e tenho medo de Puh the Bear arghhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh
p.p.s.: porque cargas d'água os alemães acreditam que remédio não pode ter gosto bom. Tomar claritromicina sem nenhum aditivo é ruim demais. Nestas horas eu quero um aroma artificial de morango, tutti-fruti ou qualquer outra porcaria que dê um gostinho menos ruim. Clara toma o antibiótico a contra gosto e para rebater o amargo do remédio, ela toma suco de maçã.